07/08/2018
Maior grafite do mundo feito por uma mulher brasileira, essa paulistana é a grafiteira Luna Buschinelli.
Para a paulistana Luna Buschinelli (02/07/1997) é difícil dizer quando foi o começo de tudo, já que ela desenha desde que conseguiu segurar o seu primeiro lápis. Mas foi na adolescência que a artista começou a explorar seus traços, então uma forma de se expressar e dar vazão ao que não conseguia dizer em palavras. Seus primeiros desenhos, em preto e branco e muito mais simples do que atualmente, já refletiam o estado de espírito da autora na época. “Foi uma fase muito difícil para mim. Sempre digo que o desenho me salvou”.
Aos 15, Luna expandiu esse universo particular com a descoberta do grafitti. Os primeiros rabiscos foram em casa – a artista preferiu aprimorar as suas técnicas antes de sair para as ruas – e só após dominar o spray é que ela começou a se aventurar pelos muros da cidade. “Achava que era muita responsabilidade ter um trabalho na rua visto por milhares de pessoas, que iria dizer muito sobre mim, e ainda não estava pronta para expor algo tão pessoal”.
Paradoxalmente, foi exatamente o grafitti que ajudou Luna a lidar com a sua timidez, e o que era um hobby virou um objetivo cada vez maior. Pelas ruas de São Paulo, a jovem artista ganhou reconhecimento e respeito, tanto do público quanto dos companheiros do grafitti, um respaldo importante para quem vive no cenário da street art. “O que me interessa mais no grafitti é poder levar arte para qualquer lugar, tirar dos círculos fechados e dar acesso a todos. Uma vez que você desenha em um espaço público, aquela obra não é mais sua, é de todos, pertence à cidade. O grafitti é democrático”.
Seja grafitando muros em 15 minutos, seja elaborando um trabalho de meses ou seja desenhando em seu caderno quando bate a inspiração, Luna tem seu próprio processo de criação: mesmo com o cuidado e o critério que as obras requerem, ela não trabalha com nada pré-definido. Para a artista, o processo do desenho é um abrigo que a convida a expressar suas mais profundas emoções, o que f**a claro nos elementos oníricos de suas criações. E ela espera que as obras finalizadas provoquem o mesmo nas pessoas. “Desenhar é algo tão natural e orgânico para mim que não tenho um planejamento, o trabalho simplesmente flui. Só quando termino é que tento descobrir o signif**ado do que criei. Também não me preocupo em traduzir minha arte para as pessoas. Acho que cada um vê o que precisa ver”.
Com o Sebastian (também conhecido como Bastian e Sebastião), seu principal personagem, Luna registra a evolução rápida do seu traço, dialoga com o mundo e se mantém fiel ao seu estilo. “O Sebastian está em constante crescimento, assim como o meu trabalho, sempre em processo de transformação”.
Edna Rosane Elaine Lima Edson Roberto Santana
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