16/04/2024
PINTURA RUPESTRE NO BRASIL? PODE ISSO, PRODUÇÃO?!?!?
Pode sim. E o mais incrível é a história de como elas podem ter ido parar ali.
Onde é ali? Dois lugares: Minas Gerais e Piauí. Vocês já foram a algum desses dois estados brasileiros?
Outra perguntinha básica: vocês sabem quem é a Niède Guidon?
Então preparem-se,gente querida, porque essa história é de arrepiar os pelinhos do braço de tanta emoção.
Em uma região do Piauí, a 530 quilômetros de Teresina, a capital do estado, vamos encontrar algumas cidadezinhas bem pequenas com poucos recursos mas que nos anos sessenta eram muito, mas muito mais pobres, não tinham água encanada ou esgoto, não tinham quase nenhum serviço para a população que morava lá.
Emprego? Também não tinha, não. As pessoas plantavam uma hortinha com alimentos para sua sobrevivência porque era isso, aquele povo não vivia, sobrevivia.
Essas cidades estão localizadas no sudeste do Estado do Piauí e ocupam parte dos municípios de São Raimundo Nonato, João Costa, Brejo do Piauí e Coronel José Dias.
Vamos agora para outro lugar do país: São Paulo, uma das maiores cidades do Brasil. Ali (ou aqui para os que moramos em São Paulo) uma mulher chamada Niède Guidon que trabalhava no Museu Paulista, antigo Museu do Ipiranga, e que era arqueóloga (arqueologia é a ciência que, utilizando processos como coleta e escavação, estuda os costumes e culturas dos povos antigos através do material (fósseis, artefatos, monumentos etc.) que restou da vida desses povos.�����
Pois bem, um dia, Niède Guidon recebeu a visita no museu de um morador do Piauí que lhe mostrou umas fotos das montanhas que f**avam perto da casa dele e ela viu que ali tinham uns desenhos lindos demais que ele dizia ser dos “índios caboclos”.
Niède, curiosíssima, correu para lá, mas as chuvas tinham feito cair uma ponte e ela não pode chegar à região.
No ano seguinte, ela teve que fugir às pressas do Brasil e ir morar na França, porque um novo governo que começou a mandar no Brasil em 1964 disse que ela era comunista e por isso deveria ir para a cadeia. Justo ela, que era completamente desinteressada por política…
Assim, depois de morar anos em Paris e aprofundar seus estudos na Sorbonne, uma das universidades mais importantes do mundo, ela voltou com uma equipe francesa de arqueologia para recolher amostras das rochas pintadas da Serra da Capivara. O laboratório francês que as examinou disse que essas amostras tinham cerca de 58.000 anos!!!
- Não é possível, respondeu Niède!
Afinal, os arqueólogos dos Estados Unidos, que eram os supostos sabidões daquela época, afirmavam categoricamente que no continente americano o homem tinha chegado no máximo há 12 mil anos e que tinham vindo pelo Estreito de Bering, lá no alto do mapa, no Canadá. Essa história conto depois, é muito boa também.
O fato é que a Niède foi achando muita coisa por ali e não era que outros pedaços de ferramentas de pedra lascada descobertos por ela datavam de 100.000 anos???
Peraí, então a grande sabichona era ela?
Uma mulher, brasileira, que revolucionou aquela região sempre pensando na ciência e na preservação deste sítio arqueológico magnífico e foi a fundadora do que hoje é considerado patrimônio cultural da humanidade: O Parque Nacional Serra da Capivara, que está no meio da caatinga (não confundir com catinga, um fedorzinho que a gente sente quando está perto de gente que não gosta de tomar banho).
E tem gente que diz. “ Ai, num gosto de caatinga não, é uma vegetação seca, cheia de cactus, muito espinho, não gosto não…”
Ai, digo eu, como assim?
A caatinga é um bioma completamente brasileiro, sua vegetação parece seca mas ela tá vivinha da silva, só esperando a época das chuvas para tornar-se exuberante.
Depois ainda Niède Guidon fundou o Museu do Homem Americano que foi criado para divulgar a importância do patrimônio cultural deixado pelos povos pré-históricos na região. A exposição mostra os resultados de mais de quatro décadas de pesquisas realizadas na área do Parque.
Com o Parque e o Museu vieram outras coisas importantes para todos os que moravam ali: trabalho, universidade, formação de especialistas, guias, além de muitas melhorias nas cidades perto dali. E, principalmente, deu uma nova perspectiva para mulheres que antes se limitavam a cuidar de suas casas e que podiam ser independentes financeiramente.
Nossa admirável Niède dedicou sua vida às pinturas rupestres da Serra da Capivara, recebeu uma das maiores homenagens da França: a de Cavaleiro da Ordem Nacional da Legião de Honra.
Aposentou-se, atualmente tem 91 anos e nos deixou um presentão, a história das pessoas da pré-história que, pelas descobertas dela, chegaram aqui há 130.000 anos, ou seja, época parecida à que chegou a outras partes do mundo.
Nós, mulheres que fazemos parte do Fazer Arte, nos sentimos imensamente orgulhosas dessa pessoa que revolucionou o mundo dos estudos da arte rupestre.
Viva Niède Guidon!!!
Neste trecho do Repórter Eco, a história de Niède Guidon. A arqueóloga lutou pela criação do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí. O lugar abriga pint...