24/09/2026
40 anos! Epa Ọya!
40 anos de um desafio infindável, instigante, difícil e excitante.
Desvendar os mistérios desta existência foi uma missão que norteou os meus passos até aqui. Eu, portanto, literalmente me desvendei. Eu me despi das vendas que me cegavam direcionando e condicionando o meu olhar simbólico e factual.
Eu afundei tanto que por incontáveis vezes me afoguei. Morri e renasci.
Constatar que as nossas escolhas guiadas pelo inconsciente revelavam repetições de padrões, pactos e uma lealdade que foi cruelmente instaurada, foi difícil e doloroso.
Eu me perguntava onde estava eu mesma diante de uma sucessão de ações pautadas na lealdade inconsciente a um clã familiar?
Existia algo genuíno, só meu, que poderia ainda ser manifestado quando eu conseguisse identificar todos estes pactos e padrões?
Será que seríamos em essência simplesmente a soma de muitos e muitas que nos antecederam geneticamente e socialmente?
Eu decidi enfrentar, acolher as minhas sombras, trazê-las à luz. Escolhi enxergar, ler e esmiuçar detalhamento cada passo e cada escolha que fiz. Nítidas tomadas decisões que estavam além e aquém da minha ilusória liberdade de escolha.
Uma leitura fidedigna e impiedosa da realidade foi iniciada há mais ou menos dez anos.
Foram enfrentamentos sórdidos e que me dilaceraram.
Entre tantos dissabores eu me escolhi e o fiz com a grandeza da coragem que esta escolha implicava.
Percorrendo este caminho eu conquistei uma nova e ancestral visão de mundo.
Minhas dores ganharam voz e o tamanho que precisavam para serem cuidadas.
Reconheci os meus talentos e comecei a conseguir manifestá-los com mais leveza e facilidade.
Sim, impreterivelmente, eu sou a soma de muitos. Porém ao escolher o que manifestar de cada um deles eu revelo a minha unicidade.
Eu não sou nenhum daqueles que me antecederam, mas tenho o que preciso de cada um aqui dentro para seguir com lucidez escrevendo uma história nova, plural e visceral.
Todos os dias sou capaz de reconhecer e agradecer uma dádiva. Abro os olhos e vislumbro a nova realidade que estou construindo.
Vez ou outra ainda morro e renasço.
Eu escolhi ser! Sim, eu sou! Sou infinita e ainda assim sou uma fagulha de luz.