15/05/2022
Membros da Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos de Uberaba vestidos para a Congada em comemoração a abolição da escravidão no Brasil. Minas Gerais, Outubro de 1888. Fotografia de José Severino. Coleção Pedro Corrêa do Lago
A notícia da assinatura da Lei Áurea, na corte brasileira, logo se espalhou para as demais províncias do país, umas receberam a notícia mais rapidamente, outras nem tanto, dependendo da sua localização, importância regional e logística. Distante da corte, em sentido ao sudeste do país, um grande território pouco povoado, atual Triângulo Mineiro, na cidade de Uberaba, publicara-se a seguinte notícia:
“Numerosos bandos de homens de côr percorriam ruidosamente a cidade, dando vivas à liberdade, ao ministério 10 de março, a Princeza Imperial Regente e ao Imperador.
De todas as estradas convergiam grupos de pretos que abandonavam as fazendas, circunvizinhas.
A 21 deste meio dia, viam-se destacados em grande número cavalheiros na estrada que desta vae, daí à cidade do Sacramento, afim de encontrar o Correio.
Pouco a pouco esse grupo foi-se aumentando com numeroso contingente de homens e mulheres a pé, que se lhe haviam ido unir.
Era indescriptível o delírio dessa multidão que ia receber dentro e pouco a confirmação de que eram, de facto, cidadãos livres” (Gazeta de Uberaba, 25 de maio de 1888
A Câmara da Cidade de Uberaba, em sua maioria composta por vereadores que eram contra o Abolicionismo, se recusou a celebrar oficialmente a Abolição da Escravidão. As festas em celebração a Lei Áurea ficaram por conta da Igreja do Rosário dos Homens Pretos e da Sociedade Abolicionista Filhas do Calvário, cujo único vereador antiescravagista da Câmara, Horácio Thomaz de Miranda era membro. Fonte: História de Uberaba - José Mendonça, 1974