Criado em 2010, o BANDO_ tem como linhas de pesquisa: a ocupação de espaços não convencionais de teatro, o hibridismo entre teatro e performance, a deglutição cênica de obras literárias (utilizadas como “gatilhos dramatúrgicos” para a encenação) e a relação corpo-a-corpo com o espectador. Nas peças do BANDO_ o público é instigado a abandonar sua posição de conforto - distanciado das ações desenvol
vidas em cena - e mergulhar no jogo cênico proposto pelos atores. O grupo se constituiu a partir de projetos de direção teatral dentro do departamento de Artes Cênicas da Universidade de São Paulo. Através de uma aproximação por afinidades estéticas, políticas e afetivas, criou-se um núcleo que trouxe em sua concepção a proposta de um trabalho essencialmente coletivo na criação e produção artística. A escolha dos temas e das formas desenvolvidas pelo grupo está diretamente ligada às nossas inquietações em relação à arte e à sociedade em geral. Em 2010, o grupo iniciou suas atividades com a ocupação artística da sede histórica do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, entrando em temporada neste espaço com “Peça-Molotov” e “As Incríveis Aventuras de Jonny Sof**ker”. Nosso objetivo era preservar e dar vida àquele espaço autônomo estudantil que desde 2009 estava abandonado, colocando em discussão o papel de transformação social da juventude dentro e fora da universidade. Em 2011, foi a vez de ocupar o porão do Teatro Coletivo (no centro da metrópole paulista) com o espetáculo “A Última Manga do Mundo” e também o galpão do Tendal da Lapa com a reestréia de “Peça-Molotov”, temporadas que abriram caminho para a atuação do grupo para além dos muros da universidade. Além dessas temporadas, o BANDO_ realizou intervenções no CANIL_ Espaço Fluxus de Cultura – espaço autônomo da USP na Escola de Comunicações e Artes (Novembro/2010); no Espaço Verde - espaço dos estudantes de Ciências Sociais e Filosofia da USP - (Setembro/2011); e na Casa das Caldeiras - antiga fábrica de energia térmica – dentro da programação de “TODODOMINGO na Casa das Caldeiras” em evento cultural promovido pela parceria entre os projetos LAÇO, Gente Que Transa e Voodoohop (Outubro/2011). Os três primeiros espetáculos encerram um ciclo o qual decidimos nomear “Trilogia do Caos”, pela pulsação inquietante da abordagem dos temas, pelo experimentalismo e radicalidade explosiva das escolhas formais. Em 2011, a partir do desejo de diversificar o trabalho e buscar uma nova abordagem expressiva, nasceu o espetáculo “Cólera”, um experimento de hibridismo entre teatro, dança e música - engatilhado pelo texto “Um Copo de Cólera” de Raduan Nassar. Dessa vez, apenas dois atores em cena, pouco cenário e a busca por um teatro mais “apolíneo” e “limpo”. O espetáculo “Cólera” representou o marco da primeira apresentação do BANDO_ fora do país, em Março de 2013, no 2º Festival de Artes Escenicas de la UANL (Universidad Autónoma de Nuevo Leon), na cidade de Monterrey, México. O quinto trabalho do grupo, “MAKUNAYMA: a saga brilhantina do herói sem nenhuma identidade” (Temporada no Palco do Lago da USP – Nov./ 2012) teve como mote as questões sócio-históricas do Brasil Contemporâneo, aliando a isso uma proposta de atualização da obra “Macunaíma” de Mário de Andrade, discutindo a construção da imagem do brasileiro dentro da fase de crescimento econômico impulsionado a partir dos anos 2000. Em 2013, o BANDO_ inicia uma nova fase, dando continuidade à pesquisa sobre relações amorosas presente em Cólera com o pocket-espetáculo “Ímpar”, utilizando como texto apenas poemas de autores brasileiros contemporâneos como Caco Ishak e Bruna Beber, apresentado na FLAP (Feira do Livro do Amapá – Macapá-AP). Em 2014, é fechado o ciclo denominado “Trilogia do Amor” (junto com “Cólera” e “Ímpar”) com o projeto de um novo espetáculo intitulado “Não Pise na Curva do Fundo Infinito”, escrito por Anna Dulce Salles. Em 2015, Não Pise na Curva do Fundo Infinito entra em cartaz no Teatro Pequeno Ato e na Sede Luz do Faroeste, em São Paulo-SP