17/06/2026
Hoje, diante do indeferimento de dezenas de projetos na 46ª edição do Programa Municipal de
Fomento ao Teatro, somos obrigados a dizer:
A barbárie ataca novamente.
E voltou vestindo roupa administrativa. O verniz agora é jurídico, mas a intenção é política! A Lei de Fomento não nasceu para premiar quem melhor sabe preencher formulários.
Nasceu para estimular e proteger a criação artística como interesse público. Coletivos teatrais se precarizam. Políticas culturais estruturantes são interrompidas em favor da
política de eventos.
Quando um teatro desaparece, não desaparece apenas um edifício.
Desaparece uma memória.
Uma linguagem.
Uma forma de encontro.
A cidade que perde seus espaços de criação perde também parte daquilo que sabe ou se esforça em
saber sobre si mesma.
Por isso estamos aqui. Temos uma responsabilidade histórica com quem veio antes de nós e com
quem virá depois.
Porque conquistas coletivas não podem ser esvaziadas por procedimentos que negam o espírito que
lhes deu origem.
A Lei de Fomento não pertence a uma gestão.
Não pertence a um governo ou secretaria.
Ela pertence à cidade.
Pertence ao público que a tornou necessária.
A arte acontece justamente onde os formulários não alcançam.
Ela deve escapar do cálculo frio e da regra do cifrão.
Estamos a contrapelo, criando a arte do encontro, da experiência, da memória compartilhada.
Imaginando futuros. Pensando o que ainda não foi pensado.
É isso que a Lei de Fomento ajudou a construir ao longo desses anos.
O teatro de grupo pode até vergar, mas se recusa a quebrar!
Arte Contra a Barbárie, outra vez.