10/10/2022
O massacre dos indígenas, que avançou durante todo o governo Bolsonaro e recrudesceu no período eleitoral, foi bem menos exposto e comentado nas redes sociais do que os abusos do atual presidente em Londres ou a morte de Elizabeth 2ª. É uma triste marca da colonização, que permanece até mesmo naqueles que se consideram progressistas, mas se sentem mais próximos dos súditos britânicos do que dos povos originários.
Nada mais ligado ao extermínio indígena do que as monarquias europeias, que marcaram a invasão do que chamaram de América e, no caso do Brasil, foram responsáveis por dizimar mais de 90% da população originária entre os séculos 16 e 17. É essa herança com que ainda temos que lidar em países como o Brasil e que está no DNA de criaturas como Bolsonaro, ele mesmo resultado da política de branqueamento de Dom Pedro 2º, último monarca do Brasil. Com todo o respeito à morte de qualquer pessoa e ao luto daqueles que a amaram, pouco importa o funeral de Elizabeth 2ª para um Brasil em que a Amazônia queima, seus protetores são executados, mulheres indígenas sofrem estupro coletivo e crianças morrem vomitando vermes.
Leia o artigo de Eliane Brum na íntegra: https://sumauma.com/complexo-de-colonizado/.
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