Juan Esteves: Campos Elíseos - história e imagens

Juan Esteves: Campos Elíseos - história e imagens Campos Elíseos - histórias e imagens, é uma exposição fotográfica em cartaz no Espaço Cultural Porto Seguro, de 17 de março a 03 de junho de 2018.

AO REGISTRAR O PATRIMÔNIO ARTÍSTICO-ARQUITETÔNICO DOS CAMPOS ELÍSEOS, JUAN ESTEVES REVELA UMA SÃO PAULO OCULTA


Em “Campos Elíseos - história e imagens”, livro do fotógrafo Juan Esteves e de Antonio Carlos Suster
Abdalla, este responsável pela coordenação editorial, o que vê é... uma cidade que não se vê! Isoladas dos “ruídos temporais contemporâneos”, edificações paulistanas surgem como se fosse

m novas, e mostram a beleza original que hoje passa despercebida aos que passam por elas no azáfama do dia a dia. Para Juan Esteves, Fotografia e Arquitetura é um
casamento que não tem erro, só pode dar certo. O fotógrafo, que desde a mais tenra infância, pela
vivência familiar, teve seu interesse despertado para a
arquitetura, nos últimos dez anos vem trabalhando num
projeto de documentação, de registro fotográfico da
arquitetura paulistana do grande centro histórico da
cidade. Seu parceiro na empreitada é o curador de arte e
historiador Antonio Carlos Suster Abdalla. Juntos, Esteves e Abdalla lançaram em 2010
“Capital: São Paulo e seu patrimônio arquitetônico”. Agora, apresentam um segundo e mais ambicioso livro,
“Campos Elíseos - história e imagens”. Este se concentra no registro histórico do patrimônio artístico-arquitetônico dos Campos Elíseos, bairro paulistano no qual existem edificações de tantos e tão variados estilos que as tornam locais de inestimável valor e de rara importância para o vislumbre e compreensão da história de nossa cidade. QUE PRÉDIO É ESSE? – “Campos Elíseos – História e Imagens” reúne uma centena de fotografias, todas elas em preto e branco. Não são, porém, fotografias ‘comuns’, longe disso. As imagens de Juan Esteves têm forte cunho autoral. Para ele, o clique, o apertar o botão disparador da câmara, é só o começo. Depois, o fotógrafo se coloca diante do computador e dá início a um minucioso processo de tratamento da imagem original, para eliminação do que chama “ruídos temporais contemporâneos”. Os “ruídos” a que se refere Esteves são barreiras que impedem a visão dos prédios em sua beleza original. Assim, ele procura eliminar tudo o que não é original das construções que registra –
fios, aparelhos de ar condicionado, postes, conduítes, edificações modernas ao lado e-ou atrás do prédio
fotografado. Há coisas mais difíceis de serem apagadas: alterações arquitetônicas por que têm passado, ao longo de décadas, os antigos prédios da cidade. No caso de prédios com inúmeras lojas comerciais no
piso térreo, que desfiguram totalmente a arquitetura original, Esteves usa um artifício: sobe ligeiramente seu ângulo de visão, registrando a edificação a partir do primeiro andar. Quanto às cores esdrúxulas com
que têm sido pintadas muitas das construções paulistanas de importância histórica, cobrindo as cores originais, a solução é ainda mais simples: o uso do preto e branco ajuda a fugir das modificações feitas. Se para fazer o clique Juan Esteves não precisa de mais do que dez ou quinze minutos, no tratamento de cada uma das imagens leva em média de dez a doze horas. Ele, que tem o retrato como
sua principal especialidade, diz tratar os prédios como se fossem pessoas. “Faço dos prédios personagens”, diz. O resultado de todo esse trabalho, mais do que compensador, é absolutamente surpreendente.Ao olhar a fotografia, o espectador se intriga com o que vê. Não reconhece nela nem mesmo aquele prédio diante do qual passa todos os dias. Questiona, “que prédio é esse?”, “onde fica?”, até se dar conta
de que existe uma São Paulo oculta, que há uma outra São Paulo por trás de tantas e tantas interferências que nos obliteram a visão.
“Embora sejam registros de hoje, essas minhas fotos acabam parecendo ser antigas”, afirma. Juan Esteves. “Esse é um paradoxo, um paradoxo do olhar. Um dado interessante é que todas as fotos foram feitas do ponto de vista de quem está andando na rua, os edifícios sempre olhados por quem está caminhando, por quem está no chão. “Sou um walker, um flâneur”, conta o fotógrafo. “Ando compulsivamente pela cidade e meu olhar é
constantemente atraído pelos detalhes. Penso que é isso que define esse meu trabalho”. CASARÕES E PALACETES – Em “Campos Elíseos – História e Imagens”, Juan Esteves e Antonio Carlos Suster Abdalla contam em imagens a história da cidade. Oferecem uma ampla visão da arquitetura paulistana através de seu percurso histórico, e pistas para que se conheçam os meandros dos antigos
caminhos que levaram à arquitetura contemporânea. A escolha dos Campos Elíseos para foco deste recorte do projeto de registro fotográfico da arquitetura paulistana é significativa. Campos Elíseos foi o primeiro bairro planejado de São Paulo,
nele foram construídos centenas de casarões e palacetes para servir de residência a abastados fazendeiros da oligarquia cafeeira. Na passagem do Século XIX para o Século XX, Campos Elíseos era o bairro mais elegante e aristocrático da cidade – situação que, como se sabe, veio a se alterar a partir dos
anos 1930, com a crise do café. A grande maioria dos prédios tem, além da imagem principal, imagens complementares mostrando detalhes arquitetônicos. Adicionalmente, vinte das páginas finais do livro são reservadas para legendas, textos breves nos quais Abdalla resume a história de cada um dos edifícios fotografados por Esteves.

Endereço

São Paulo, SP
01216-012

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