23/06/2026
Eu sempre bato na tecla de que uma aula de desenho precisa ser prazerosa e fazer sentido para a criança, né?
E hoje eu vou explicar por que gosto de intercalar aulas de criatividade com aulas de observação.
A criatividade na criança costuma fluir de forma muito natural e divertida. Já o desenho de observação exige algo diferente: mais atenção e concentração, o que requer um esforço muito maior para enxergar de verdade aquilo que a criança está olhando. E é justamente por isso que eu procuro conectar esse trabalho com algo que desperte interesse nela.
Nesta aula, eu queria trabalhar com esse aluno, que é extremamente lúdico e criativo e tem 7 anos, o desenho cego como ferramenta para ele entender as formas reais de um rosto e “calibrar” os olhos com as mãos. Começamos com o rosto da professora (no caso, eu mesma 😅). Fizemos esse exercício várias vezes para que ele percebesse as formas reais de um rosto humano (formas que, num primeiro momento, podem parecer até estranhas, comparadas às representações que eles estão acostumados a ver em ilustrações e desenhos animados).
Então, entrando no clima da Copa, assunto de extremo interesse dele, surgiu a ideia de escolher um jogador do álbum da Copa para desenhar.
E o mais interessante desse desenho é que ele mostra o processo. Lembrando que não é esperado que uma criança faça um retrato perfeito em uma única aula.
Mas aqui dá para perceber direitinho a transição do pensamento dele: ele começou pelo nariz, desenhando da forma como está mais acostumado, de maneira mais simbólica e imaginada. Conforme foi avançando pelo rosto, foi se conectando cada vez mais com o que estava vendo. Os olhos, a boca e outros detalhes começaram a surgir muito mais próximos da figurinha que ele observava.
Foi uma daquelas aulas em que o aprendizado aparece no desenho, mas aparece ainda mais no olhar de orgulho da criança (e no meu ❤️) quando ela percebe o que conseguiu fazer.