24/11/2016
Últimas sessões. Gratos Rafa Costa!
Corpo_Cidade_Rotinas_ficção
(Sobre a experiência de terça e sua reverberação).
O conhecimento traz protagonismo
A peça já começou! A vida como teatro ou o teatro como vida já estava diante dos meus olhos e o único personagem definido, até então, era eu: o público. Ativo, inquieto... eu buscava nos passantes sentidos, posturas, envergaduras que me denunciassem o ator ali presente, já transfigurado. Tipos eretos, persecutórios, peculiares me saltavam aos olhos, mas não tiveram fôlego ou reincidência para permanecer no meu delírio de serem eles o elenco buscado. O trânsito seguia...
- “Todo dia eu...”
A constância ou o destaque é o gatilho para o foco, o protagonismo se instaura e uma lente se apresenta na leitura e vivência da mesma/diferente rua. Sou ele, sou eu, são eles que interagem e circulam em uma não definida, mas estipulada, sequência de vida. Dele para elas os mundos se multiplicavam, proliferavam possibilidades e protagonistas em meio a multidão crescente e passante. O que pensavam, o que sentiam, para onde ou de onde vinham... criava eu o estofo dramatúrgico de uma vida apresentada pelo recorte, mas que em mim já era cronologia de lembranças.
- “Oi, um instante! Uma pesquisa!”
Diversidade e descaso. São estes os adjetivos para o centro de São Paulo pelos novos protagonistas convidados. Respondendo ao questionário eram deles o destaque, novas vidas, outras histórias, próprias histórias que atravessavam os meus olhos com a força de quem as vive. E quem vive, não é figurante de si.
A rasteira final está no desconhecido sem nome, inexistente, sobre o qual não tivemos conhecimento. E sem conhecimento não teve protagonismo ou presença de saber seu nome ou enredo já não mais presente. O morador de rua se foi.
Esta não é uma tentativa crítica ou poética. É uma escrita necessária de uma experiência vivida. Compartilhada pela crença que o conhecimento, o saber do outro e sobre outro, que legitima e gera o protagonista, é parente do fuxico, do disse que disse, do ouvir falar, e por fim, do era um vez.
Obrigado e parabéns à todos os envolvidos nestas ruas.
Rafa Costa