02/06/2026
Thix: Quarto de não dormir, sala de não estar . Exposição individual . Texto crítico de Maykson Cardoso . 23.05.2026 - 04.07.2026
Esse “quarto de não dormir” é o centro nevrálgico da exposição não só pela atmosfera que cria e evoca, mas também pelo ato criativo da artista que aí se nos revela como seu “ato primeiro”. A composição desse cenário resulta de uma ação semelhante àquela prévia que vemos na composição da tela “A Infanta”: se lá o que se vê é a artista destruir, desconstruir, desmontar, para dar corpo a outro quarto com as carcaças que restam de um velho; aqui, vemo-la utilizar a pintura como meio para recortar, reeditar, reinventar a fotografia como documento de um passado que ela recusa como fixo e, portanto, como inalterável.
Em ambos os casos, este primeiro impulso é o mesmo daqueles que possuem o que Walter Benjamin chamou em seu texto homônimo de “o caráter destrutivo”, i. e.: o caráter daqueles que não “veem nada de duradouro, porque veem caminho por toda parte, mesmo quando outros esbarram com muros ou montanhas”. Por isso, são também “inimigos” do chamado “homem-estojo”, que “busca seu conforto” na “concha aveludada”. Enquanto este, “tradicionalista”, quer manter as coisas intocáveis e conservá-las tal como são, o “destrutivo” quer torná-las “manejáveis”. Onde aquele as conserva, este quer, antes, “liquidá-las”.
[Fragmento do texto crítico de Maykson Cardoso, maio de 2026]