04/04/2020
Um texto que escrevi em 2017
O Grupo Raça Companhia de Dança de São Paulo presenteou a noite de 1° de abril com duas coreografias – À Flor da Pele, de Jhean Allex e Novos Ventos de Roseli Rodrigues - na Sala Jardel Filho do Centro Cultural Vergueiro. Com ou sem intenção, a companhia tratou da raiva com uma quase leveza, que convidou a plateia a não tirar os olhos da movimentação dos corpos dos bailarinos em À Flor da Pele. A sutileza foi capaz de preservar os espectadores de qualquer agressão que o tema pudesse sugerir porém não impediu o grupo de alcançar o propósito de comunicar, em boa dança, o sentimento transpassado do interior, chegando à pele. Já em Novos Ventos não houve economia da beleza que uma apresentação pode trazer. Ao vento foi emprestado ritmo e cor, criou-se ali a possibilidade de vê-lo no seu melhor Outono. Dele, o vento, diz-se não sabermos para onde vai, mas em Novos Ventos sim, o sabemos, e o lugar era, que não outro, o palco de onde é possível controlar sentimento e vento.
por Dricka Barros
saudades da aulas de Crítica em Dança.