20 anos de Teatro da Vertigem
O Teatro da Vertigem iniciou seus trabalhos em 1991 com experimentos baseados na Mecânica Clássica aplicados ao movimento expressivo do ator. Esta pesquisa gerou um repertório de treinamento que foi concretizado estética e artisticamente com O Paraíso Perdido - primeiro espetáculo da companhia - que estreou um ano após o início das pesquisas na Igreja Santa Ifigênia,
em São Paulo, e permaneceu em cartaz por oito meses consecutivos participando, ainda, de festivais nacionais. Buscando desenvolver a ocupação de espaços não convencionais, o grupo iniciou seu segundo projeto, O Livro de Jó, aprofundando-se nas possibilidades cênicas do espaço e na exploração e utilização de objetos e materiais do local, que influenciaram diretamente todas as outras áreas de criação. O espetáculo estreou em 1995, no Hospital Humberto Primo em São Paulo e seguiu carreira apresentando-se em Curitiba, Porto Alegre, Rio de Janeiro, e também em Bogotá, na Colômbia, e em Ärhus na Dinamarca. Em 1998, O Livro de Jó foi o primeiro espetáculo brasileiro a representar o país no III Festival Internacional de Teatro Anton Tchekhov, em Moscou, em razão das comemorações do centenário do Teatro de Arte de Moscou. Neste mesmo período o Teatro da Vertigem iniciou os trabalhos de pesquisa do espetáculo seguinte, Apocalipse 1,11, solidificando o processo colaborativo como modo de criação do grupo. Tal espetáculo estreou oficialmente, em janeiro de 2000, no antigo Presídio do Hipódromo, em São Paulo. Apresentou-se também em Curitiba, no Rio de Janeiro (no prédio do antigo DOPS) e no Festival Nacional de Londrina. Viajou, ainda, para Lisboa, em Portugal, e para os festivais nacionais de Caracas, na Venezuela, de Colônia, na Alemanha e de Wroclaw, na Polônia. Essas três obras criadas configuraram a denominada Trilogia Bíblica, apresentada na íntegra em 2002 em São Paulo, na comemoração dos 10 anos de existência do grupo, e ainda no Festival de São José do Rio Preto e no Festival de Belo Horizonte. De maio a julho de 2003 realizou o projeto de residência artística na Casa Nº1, iniciativa inédita de parceria entre o Patrimônio Histórico, a Secretaria Municipal de Cultura e um grupo de teatro. Durante tal residência, desenvolveu seus estudos, treinamento e ensaios para a criação do projeto seguinte: BR-3. Em 2004, o grupo iniciou pesquisa de campo no bairro da Brasilândia, na periferia de São Paulo, desenvolvendo oficinas gratuitas aos moradores locais, além de realizar, através de uma ação continuada, um trabalho de instrumentalização artística de "oficineiros/multiplicadores" que já vinham mantendo projetos sociais na comunidade local. Em julho desse mesmo ano, a companhia realizou viagem por terra para Brasília/DF e Brasiléia/AC, como parte do processo de criação de BR-3. Em 2005, o grupo LOT, uma associação cultural peruana para a investigação teatral multidisciplinar, convidou o Teatro da Vertigem para participar do projeto Zona Fronteriza. Juntos criaram uma intervenção artística num hotel abandonado no centro histórico de Lima, no Peru. Ao retornar para o Brasil, o Teatro da Vertigem retoma os ensaios de BR-3, estreando o espetáculo no rio Tietê, em São Paulo, em fevereiro de 2006. Nesse mesmo ano, a convite do Itaú Cultural, o grupo participou da exposição Primeira Pessoa com a instalação e a performance Subtextos. Na sequência, em janeiro de 2007, o grupo estréia História de Amor (últimos capítulos) de Jean-Luc Lagarce. Espetáculo vinculado à exposição sobre a trajetória dos 15 anos do grupo na galeria Olido em São Paulo. A peça realizou temporada em vários teatros de São Paulo e também nas cidades de São José do Rio Preto, Rio de Janeiro, Brasília, Recife, São Luís, Sertãozinho, Porto Alegre e Florianópolis. Em outubro de 2007, no Rio de Janeiro, o grupo participou do Festival Rio Cena Contemporânea retomando o espetáculo BR-3, desta vez, adaptado à Baía de Guanabara. Em janeiro de 2008 o grupo apresentou o espetáculo O Livro de Jó, em Santiago do Chile, e iniciou um projeto de intercâmbio artístico com dois outros grupos: o LOT de Lima, Peru, e o Zikzira, de Belo Horizonte. Deste intercâmbio foi criada a intervenção cênica A Última Palavra é a Penúltima a partir do texto O Esgotado, de Gilles Deleuze. Tal intervenção aconteceu na passagem subterrânea da Rua Xavier de Toledo, no centro de São Paulo, interditada desde 1998. Neste mesmo ano realizou a ópera Dido e Enéias, de Henry Purcell, num dos galpões da central de produção de cenários e figurinos do Teatro Municipal. No ano seguinte, em 2009, a obra O Castelo, de Franz Kafka, serviu de inspiração para o próximo projeto do grupo, Kastelo, estreado em 2010, no prédio do SESC da Avenida Paulista. Ali dentro, o público assistiu, através do espaço envidraçado, às cenas realizadas no exterior do edifício. Ainda em 2010, após a estreia da versão filmada e do documentário sobre o espetáculo BR-3, o grupo iniciou seu projeto mais recente, ainda em andamento, sobre o bairro do Bom Retiro. Paralelamente a este trabalho, o Teatro da Vertigem realizou a intervenção cênica Mauismo, no bairro da Bela Vista, local de sua sede e, também, convidou jovens diretores para a realização do projeto Leituras Encenadas. No primeiro semestre de 2011, o grupo iniciou a etapa prática da pesquisa sobre o Bom Retiro, in loco, na Oficina Oswald de Andrade, visando à criação dramatúrgica. Concomitante realizou em sua sede o projeto Novos Encenadores, convidando jovens diretores para realizarem experimentos cênicos. Também, entre junho e julho de 2011, realizou a peça Cartas de Despejo, em sua sede, e a intervenção Cidade Submersa, no terreno da antiga rodoviária do bairro da Luz, no centro de São Paulo. Em reconhecimento pela utilização da cidade como espaço cênico, o Teatro da Vertigem recebeu, em julho de 2011, a Golden Medal (Medalha de Ouro) de melhor espetáculo para a montagem de BR-3. Além disso, fez parte do pavilhão brasileiro da mesma mostra, o qual foi premiado com a Triga de Ouro. Em junho de 2012, ocupando as ruas do bairro do Bom Retiro e outros dois espaços diferentes, o Shopping Lambroso e o Teatro Taib, o Teatro da Vertigem estréia Bom Retiro 958 metros, o espetáculo segue em cartaz até março de 2013. No segundo semestre do mesmo ano, realizou também a ópera Orfeu e Eurídice, no edifício inacabado na Praça das Artes, complexo arquitetônico próximo ao Teatro Municipal (centro de São Paulo).