05/11/2023
A geração que passou a curtir Milton Nascimento neste século 21 dá a impressão de que só escuta de Bituca o álbum Clube da Esquina (1972), que ele dividiu com Lô Borges. Assim como parece que só sabe de Acabou Chorare, na discografia dos Novos Baianos.
Milton, o aniversariante deste 26 de outubro, fez o melhor e mais consistente disco de estreia da música popular brasileira O LP epônimo, de 1967, em que todas as faixas são primorosas, totalmente fora do padrão estético da época.
Os futuros tropicalistas buscavam uma maneira de escapar do beco sem saída em que a MPB se meteu na era dos festivais.
Milton nem se preocupou com o tal beco, nem com a tal da MPB. Foi a linha evolutiva de si mesmo. Ninguém começou a carreira com uma música tão perfeita quanto Travessia, que não tinha a ver com bossa nova, nem com a estética dos festivais. Quem melhor entendeu Bituca foram os maestros e artistas gringos que vieram participar do Festival Internacional da Canção de 67.
Para o maestro Francis Lay, pir exemplo, a melhor música do FIC foi Morro Velho, classificada entre as dez finalistas.
Milton teve um reconhecimento meteórico lá fora. Courage, seu segundo LP, com arranjos de Eumir Deodato, já foi foi gravado nos Estados Unidos. A referência ao reconhecimento dos gringos, porque estes detectaram sua grandeza de imediato, ao contrários dos artistas brasileiros contemporâneos de Milton.
Às exceções foram Elis Regina e Agostinho dos Santos (que vinha de uma geração anterior), este responsável pela inscrição de três músicas de Milton, Tres Pontas (com Ronaldo Bastos), Travessia (com Fernando Brant) e Morro Velho no FIC.
Se fizesse apenas este álbum e abandonasse carreira, aInda assim Milton Nascimento seria um dos mais importantes autores da história da música popular brasileira.
Foto: Milton e Andy Williams, 1968