24/02/2025
Sobre dois Aberrês
Mestre Aberrê
O mestre Aberrê, apesar de ter vivido em uma época, onde a mídia já retratava o cenário da capoeiragem baiana, não teve a sua rica História devidamente registrada. Antônio Raimundo Argolo (Aberrê) nasceu no dia 6 de agosto de 1894 em Salvador Ba. Filho de Ângelo Argolo e Maria R. de Argolo. A região onde nasceu foi a mesma onde viveu e ensinou capoeira a vida toda.
ALUNO DO MESTRE PASTINHA
Eu sou um dos exemplos do passado. Aqui tem muitos veteranos. Velho mesmo! Capoeirista veterano, mais idoso do que eu. Menino da menina dos meus olhos, capoeirista… Eu tinha aqui um aluno por nome Aberrê, esse foi meu aluno e era afilhado do mesmo padrinho meu. Morava na ladeira do São Francisco e eu morava na ladeira do Muntun. Eu levava, ele ia lá pra casa pra eu ensinar ele a jogar capoeira, quando eu dei baixa.
Créditos;
(Faixa v; Lp, M. Pastinha )
depoimento do mestre Pastinha, Aberrê teria iniciado com ele o se aprendizado, por volta de 1912. Nesse período, o mestre Pastinha já tinha 21 anos de idade e o mestre Aberrê tinha 16 anos. Após esse episódio, o mestre Pastinha se dedica a outras atividades e por conta da repressão aos capoeiristas, o mesmo se ausenta dacapoeira, ao menos do ensino da da mesma por 29 anos, e no ano de 1941 o seu destino e o Aberrê se cruzam novamente.
ATRAVES DO MESTRE ABERRÊ, O MESTRE PASTINHA VOLTA PARA A CAPOEIRA NO ANO DE 1941
Na engibirra tinha um grupo de capoeirista. Só tinha Mestre. Os maiores Mestres daqui da Bahia. Todo domingo tinha ali uma capoeira que só ia alí Mestre, num tinha nada de aluno, era Mestre. E esse ex-aluno meu, Aberrê, fazia conjunto lá. Então os Mestres lá procuraram saber, querer me conhecer. Perguntou ao Aberrê quem tinha sido o Mestre dele. Ele deu meu nome. Traga esse homi aqui que nóis precisamos conhecer ele! É tão falado, é tão bom capoeirista. Traga ele aqui pra gente conhecer. O Oberrê me convidou pra eu assistir ele jogar no dia de domingo. Quando eu cheguei lá procurou o dono do, da capoeira, que era o Amorzinho, era um guarda civil. Procurou o Amorzinho e o Amorzinho no apertar da minha mão foi e me entregou a capoeira pra eu tomar conta.
Créditos;
(M. Pastinha; faixa v do LP); depoimentos.
SOBRE A GENGIBIRRA
O centro de capoeira Angola da Conceição da praia, também conhecido como Gengibirra, foi uma das primeiras tentativas de organização da capoeira na Bahia. era um centro de capoeira composto de 22 mestres. Entre eles, estavam: Maré, Noronha, Livino, Amorzinho, Argolinha de ouro e famoso mestre Aberrê. O fato de Aberrê ser um exímio capoeirista, chamou a atenção dos demais membros, pois se ele era muito bom, o seu mestre seria melhor ainda, e esse era o cara ideal para tocar aquele centro.
MESTRE CAIÇARA DEIXA UMA DUVIDA NO AR
Em entrevista ao mestre macaco no ano de 1987, o mestre Caiçara que junto aos mestres onça preta e canjiquinha foram alunos de Aberrê, faz seguinte afirmação: "ele(Pastinha), nunca foi mestre de Aberrê... Aberrê nunca foi aluno de Pastinha. Meu mestre Aberrê era de Santo Amaro e chamava Antônio Rufino dos Santos.
Créditos;
(m. Caiçara; 1987.)
O depoimento do M. Caiçara, não colocou em mim dúvidas, sobre Aberrê ter sido ou não aluno do M. Pastinha, porém fez me questionar sobre um outro Aberrê. Afinal o apelido é o mesmo, porém os nomes reais não batem.
(Boa alma)
O APRENDIZADO DO MESTRE CANJIQUINHA
Washington Bruno da Silva (m. Canjiquinha), aprendeu capoeira aos dez anos de idade em 935, na Baixa do Tubo, no Matatu Pequeno. "No banheiro do finado Otaviano" (um banheiro público). E ele afirmava ter sido aluno de Antônio Raimundo Aberrê. Seria esse o mesmo Antônio Raimundo Argolo Aberrê, aluno do M. Pastinha. Caso venha a se confirmar a existência de outro Aberrê que no caso seria Antônio Rufino. Os mestres Canjiquinha e Caiçara, seriam alunos de Aberrê diferentes.
MESTRE ABERRÊ E MESTRE BIMBA; DOIS GRANDES AMIGOS
"e numa prova evidente de seus grandes conhecimentos, Manuel dos Reis Machado (Bimba) e Raimundo Argolo (Aberrê) outro bamba na capoeiragem, fizeram ótima aprentação extra programa, sendo largamente aplaudidos”.
Créditos;
(O IMPERIAL, 19/02/1936)
REFLEXÃO
O parque Odeon, inaugurado no ano de 1936, foi o cenário de grandes lutas no ringue. Destaque para o mestre Bimba e seus alunos que desafiavam e eram desafiados. Às altas apostas, os olofortes, as manchetes de jornais... Tudo isso incentivava os lutadores a darem o melhor de si. Dentre as atrações que mais chamaram a atenção está a apresentação dos mestres Bimba e Aberrê, essa não foi uma luta oficial, foi um presente para o público se emocionar com dois gigantes da capoeira em demonstração de pura agilidade, agilidade, malícia e destreza.
(Boa alma)
O DESAFIO
Semanas depois, Mestre Aberrê desafiou a Mestre Bimba em 25 de março de 1936. (MAGALHÃES, 2012). Não houve a luta. Porém, sabe-se também que ele tinha uma relação próxima com Mestre Bimba, fato sugerido pela apresentação que fizeram juntos:
Créditos;
[(CARDOSO, 1970)
A PROFISSÃO
Mestre Aberrê era pedreiro. Em 23 de fevereiro de 1939. começou trabalhar como pedreiro na Santa Casa de Misericórdia da Bahia. Residiu em Pitangueiras, n° 50.
Créditos;
(Rego. 1968)
A MORTE
O mestre Aberrê, havia acabado de comer uma comida pesada (fava segundo o mestre canjiquinha). Quando soube que um aluno seu, estava apanhando numa roda. Imediatamente, ele descerá para a roda em questão, e ao entrar para jogar teve um colapso e faleceu ali mesmo aos 48 anos de idade, no dia 10 de setembro de 1942, no Fuisco de Baixo, (ladeira do jacaré).
Créditos;
(Fred Abreu; os manuscritos do mestre Pastinha); atestado de óbito(disponível na Santa casa de misericórdia)
Créditos, fontes;Fonte: Livro Jogo de Discursos, A disputa por hegemonia na tradição da capoeira angola baiana, 2012, EDUFBA, Salvador.Capoeiristas e mestres famosos da Bahia; Abib, Pedro.Fred Abreu; os manuscritos do mestre Pastinha); atestado de óbito(disponível na Santa casa de misericórdia)(Rego. 1968)(CARDOSO, 1970)(O IMPERIAL, 19/02/1936)Canjiquinha a alegria da capoeira(Abreu)Capoeira Angola; os manuscritos do mestre Noronha(Abreu)LP. Mestre Pastinha
Texto;
Antônio Luiz Campos(boa alma)