18/08/2026
Johannes Eckerström, do AVATAR, fala sobre elogios do METALLICA: “É uma versão totalmente bizarra de um sonho de infância”
Receber elogios de uma banda que você admirava quando ainda era moleque já seria motivo suficiente para guardar o momento para o resto da vida. Agora imagine subir ao palco como atração de abertura do METALLICA, conquistar a atenção dos caras e, depois de uma sequência de shows, ouvir que sua banda “elevou o nível” da turnê.
Foi exatamente isso que aconteceu com o AVATAR durante a etapa europeia de 2026 da gigantesca turnê “M72” do METALLICA. Em entrevista a Andrew Slaidins, do programa 50 Shades Of Slaids, o vocalista Johannes Eckerström falou sobre a experiência e admitiu que receber o reconhecimento de seus antigos heróis teve um signif**ado bastante particular.
“Passamos algumas décadas sem receber elogios públicos muito altos e incríveis de nossos heróis de infância, o que acho saudável. Então, os fundamentos sobre os quais construímos nossa confiança e nossa motivação estão em outro lugar. Dito isso, é uma versão totalmente bizarra de um sonho de infância ter isso. Isso realmente me leva de volta àquele tipo de felicidade que senti por isso, que é quase, como adulto, meio boba…”
O comentário de Johannes veio depois que o próprio METALLICA elogiou publicamente o AVATAR pela participação na turnê. Para o vocalista sueco, porém, a história ficou ainda mais especial porque a relação foi muito além de simplesmente dividir o mesmo palco.
Ele lembrou que tinha apenas 14 anos quando assistiu ao seu primeiro grande show de hard rock: AC/DC. Naquela época, já existiam aquelas fantasias clássicas de adolescente sobre o que aconteceria caso algum dia pudesse conhecer seus ídolos.
“Lembro que meu primeiro show de hard rock de verdade foi quando eu tinha 14 anos. Fui com um amigo ver o AC/DC. E, junto com isso, vieram aqueles devaneios: e se nós nos conhecêssemos? E se eles achassem que eu sou legal? Tipo, conhecer seus heróis e imaginar uma versão exagerada de como eles seriam legais com você.”
A experiência com o METALLICA acabou reproduzindo justamente esse tipo de sonho adolescente. Logo no primeiro show, AVATAR recebeu um bolo e um cartão autografado, além de ter a oportunidade de conhecer brevemente dois integrantes da banda.
“Pensamos: ‘Ah, isso é muito legal. Não pode f**ar melhor do que isso’. Mas então eles foram aumentando o nível a cada show.”
E foi aí que a história ganhou outro capítulo. AVATAR passou a ser convidado para interagir mais com os integrantes do METALLICA, enquanto James Hetfield começou a acompanhar pessoalmente os shows da banda sueca.
“James estava lá, assistindo ao nosso show, curtindo, voltou no segundo dia, no terceiro dia. Ele realmente parecia gostar do que estamos fazendo.”
Para Eckerström, obviamente não dá para construir uma carreira esperando que um dos seus heróis se transforme em fã da banda. Mas, quando isso acontece, a sensação é difícil de descrever.
“Você não pode construir uma banda esperando que um de seus heróis acabe se tornando fã dela. Mas, quando isso acontece, é… eu não sei. Às vezes parece que cultivamos árvores em camadas, e escondida em algum lugar dentro de nós está a pessoa que fomos no passado. Isso nunca desaparece completamente, atravessa as camadas, e há alguns caras de 13 ou 14 anos dentro de nós que tiveram um verão incrível agora com o METALLICA.”
A influência do METALLICA na história do AVATAR
A ligação entre AVATAR e METALLICA, entretanto, não começou em 2026. Eckerström já havia explicado anteriormente que a banda de James Hetfield, Lars Ulrich, Kirk Hammett e Robert Trujillo foi fundamental para a própria existência do grupo sueco.
Em uma entrevista concedida em novembro passado ao programa Wired In The Empire, o vocalista contou que o baterista John Alfredsson sofreu uma fratura na perna enquanto esquiava quando tinha 12 anos. Preso em casa durante a recuperação, ele recebeu vários CDs para passar o tempo — entre eles, Load e Reload, do METALLICA.
“Ele ouviu Load e Reload e decidiu que queria tocar em uma bateria Tama e montar uma banda. Foi quando perguntou ao Jonas Jarlsby, nosso guitarrista, se eles começariam uma banda juntos.”
Segundo Johannes, aquele acidente aparentemente banal acabou provocando um efeito dominó que, anos depois, levaria o AVATAR até o palco ao lado do METALLICA.
“Todo esse efeito borboleta de ‘aqui estamos’ é realmente consequência do péssimo esqui do John e dos CDs que ele ganhou como resultado disso.”
E existe ainda outra conexão importante. Para Eckerström, a influência do METALLICA está inserida em uma cadeia muito maior de referências que ajudaram a formar o som do AVATAR.
Ele cita nomes como BLACK SABBATH, THE BEATLES e AT THE GATES como peças importantes desse quebra-cabeça. Mas o METALLICA ocupa um lugar especial justamente por ter sido uma das bandas que fizeram um garoto querer começar a tocar.