12/06/2025
Ziraldo - Lembranças !
Fonte : Postagem de Custodio Rosa em 06/04/2024 .
ZIRALDO, LEMBRANÇAS PESSOAIS
Pequenas histórias do que posso lembrar do Ziraldo, das poucas vezes em que estive com ele -ou que ele esteve virtualmente entre nós. Pois Ziraldo muitas vezes pairava como um ente místico sobre nós cartunistas.
- Nos bastidores de um pequeno programa de entrevistas para uma TV a cabo em SP, eu namorava a jornalista entrevistadora e fui escalado para fazer sala para o mestre nos camarins. Id**ta que sou, não queria amolar e não levei nenhum livro para ele autografar, embora a coleção ziraldiana seja pedra fundamental na minha biblioteca desde antes de iniciar na profissão. Então não tenho nenhum livro autografado dele.
- A contrapartida é que ganhei um original do Pererê em A3.
- Ziraldo tinha aquela coisa do mineiro que começa a conversar com você e parece seu amigo há muito tempo.
- Anos depois em Blumenau, festa de lançamento ou relançamento da Bundas (ou do Paquim 21, sei lá). Eu precisava ir para SC por motivos familiares (acho que nessa viagem fui pra SC acompanhado pelo Gilmar e pelo Rocco). Entre misses Blumenau e muita cerveja, fotografei Ziraldo ajudando Fausto Wolf a virar 1 litro de chopp em um tubo de um gole só.
- Meses depois ganhei um dos presentes mais valiosos da minha vida, o Livrão Ziraldo, da Salamandra. Deve pesar uns 2 quilos. Um dos livros mais impressionantes da história do humor gráfico, e um presente do Luigi Rocco que provavelmente nunca vou merecer.
- Por alguma razão fui responsável em mandar um exemplar do livro coletânea de quadrinhos "Dez na área" sobre futebol para ele no Rio, tentar algum espaço no Pasquim 21. Uma tarde ouço uma mensagem no meu celular (na época não existia smartphone). Era o Ziraldo me chamando de vagabundo por não atender o telefone, dizendo que o livro ia ganhar página dupla no jornal e meu desenho ia estar estourado na página. Me fez mais alguns xingamentos carinhosos e desligou. Guardei aquela mensagem enquanto a tecnologia permitiu e a caixa postal da operadora aguentou.
- Eu e dois colegas cartunistas saindo pela rua Augusta, após assistir ao documentário Profissão Cartunista dedicado ao Ziraldo. A película mostra um pouco de cada vetor criativo do mestre- ilustração, charges, literatura infantil, cartazista de shows e de cinema, cartunista, quadrinhos - um pouco dos processos e um pouco da trajetória dele. Na saída, os três, que já o conheciam pessoalmente e o trabalho ha décadas, caminham em silêncio impactados pelo que vimos. Um deles fala:
- Não sei se corro pro estúdio desenhar ou se não desenho nunca mais.
Era isso. A força criativa monstruosa era inspiradora e amedrontadora.
Ziraldo foi o que quis ser, em todos os sentidos, em todas as direções, até mesmo em suas falhas, e foi com todo o talento arrebatador que podia ser.
Sendo artista, não se pode querer mais da vida.
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