26/08/2026
É com muita alegria que a Sardenberg apresenta Adrianne Gallinari na SP-Arte Rotas 2026.
Adrianne desenha. Parece simples, mas é daí que tudo começa. Mesmo quando pinta ou quando uma palavra aparece no meio da imagem, é o desenho que organiza seu pensamento. Não como preparação, mas como uma maneira de olhar o mundo.
Nascida em Belo Horizonte e formada pela Escola Guignard, Adrianne construiu ao longo de mais de três décadas um vocabulário muito particular. Figuras, árvores, casas, palavras, manchas e sinais aparecem, somem e voltam. Há algo de escrita nesses desenhos e algo de desenho em sua escrita. E a cor entra nessa conversa com liberdade. Às vezes domina a imagem, às vezes aparece quase de surpresa e muda tudo.
Vejo aí uma proximidade existencial com Leonilson e Efrain Almeida. Não porque os trabalhos sejam parecidos, mas porque nos três a experiência íntima vira matéria para a arte. Corpo, desejo, memória, fragilidade e passagem do tempo aparecem sem precisar fazer muito barulho.
Adrianne já definiu seus desenhos como uma espécie de “diário imaginário”. Acho perfeito. São imagens de alguma coisa que pode ter acontecido, sido lembrada, sonhada ou simplesmente inventada. Tudo parece familiar, mas nunca está exatamente no lugar certo. E é aí que f**a interessante.
O trabalho pode parecer delicado, mas não é dócil. Pode parecer simples, mas não é. Pode contar uma história sem dizer exatamente qual. Ficamos nesse lugar entre ver e ler, reconhecer e imaginar.
E existe uma trajetória e tanto por trás dessa leveza. Adrianne passou pela Beca Kuitca, expôs no The Drawing Center, participou da Bienal de Pontevedra e do Projeto Pampulha. Em 2008, esteve ao lado de Kiki Smith e Catherine Opie em Disarticulated Bodies/Destabilized Meanings. Mais recentemente integrou Fullgás, com curadoria-chefe de Raphael Fonseca e curadoria adjunta de Amanda Tavares e Tálisson Melo.
No fim, Adrianne continua fazendo uma coisa muito simples: uma linha perto da outra, uma palavra perto de uma imagem, uma cor onde a gente não esperava. E, de repente, alguma coisa acontece.
É isso. Rotas. Adrianne Gallinari SP-Arte Feira de Arte