11/02/2026
“O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”
• A diretora vencedora do Oscar Emerald Fennell, aposta que o seu filme “O MORRO DOS VENTOS UIVANTES”, será o novo “Titanic” dessa geração.
• O filme é uma adaptação do clássico homônimo de Emily Brontë. Mas não à toa, Fennell fez questão do título do filme vir com aspas. É uma espécie de salvo conduto para todas as suas escolhas narrativas de desconstrução e releitura que diferem, e muito, da obra original.
• Mas o problema aqui não se restringe a mudanças na história, mas sim com a decisão de, por exemplo, ignorar toda a segunda metade do livro de Bronte.
• E ao tomar esse caminho, o filme se perde sobretudo num momento muito importante da narrativa: a passagem do tempo.
• Nesse momento crucial, em que a ausência e a distância deveriam ter um peso quase esmagador, as escolhas narrativas são fracas, em cenas curtas com pequenos takes que não nos dizem muito.
• Acontece que tudo isso resvala num maneirismo caricato, com os atores performando de uma maneira quase teatral, inseridos dentro de uma moldura.
• As paisagens exuberantes, as tomadas internas - a casa de Catherine e o palácio de Edgar -, são tomadas isoladas, que raramente se comunicam com a história.
• A narrativa f**a presa à forma; a dramaturgia ocupa um espaço que não dialoga com outros elementos fílmicos como a imensidão das imagens da natureza, a fotografia de um céu com vermelho intenso, o figurino exuberante e um primoroso design de produção.
• Margot Robbie imprime em sua Catherine, um timing cômico de um humor que contrasta com os momentos de dor intensa e ansiedade.
• De longe é uma atuação que não encontra paralelo nem interação com os outros personagens. Sobretudo Jacob Elord que só alcança a força dramático de seu Radcliffe no terço final da projeção.
• No fim, o filme funciona melhor como thriller erótico estilizado, coerente com a filmografia de Fennell, do que como grande romance trágico. Ainda assim, permanece uma adaptação instigante, que deve provocar debates entre fãs e atrair curiosos pela ousadia estética e narrativa própria.