o.c.a.h Observações e Curiosidades sobre Arte e sua História

A pintura “El árbol de la vida”, realizada em  1960, por Leonora Carrington (Reino Unido, 1917 - 2011, México),  reflete...
23/01/2026

A pintura “El árbol de la vida”, realizada em 1960, por Leonora Carrington (Reino Unido, 1917 - 2011, México), reflete a profunda busca espiritual e simbólica que marcou a vida e a obra da artista.

Criada quando Carrington já vivia no México, a obra combina elementos do surrealismo com referências ao misticismo, à Cabala, ao budismo e a mitologias pessoais. A árvore central surge como eixo da existência, ligando o mundo material ao espiritual, enquanto figuras humanas, animais e criaturas híbridas orbitam em torno dela, sugerindo a interdependência de todas as formas de vida. O uso de cores intensas e formas circulares transmite movimento e transformação, reforçando a ideia de um ciclo contínuo de conhecimento e renascimento. Sem oferecer uma interpretação fechada, Carrington convida o observador a refletir sobre o sentido da vida, do mistério e da conexão entre o visível e o invisível.

A pintura “El árbol de la vida”, realizada em  1960 por de Leonora Carrington (Reino Unido, 1917 - 2011, México), reflet...
23/01/2026

A pintura “El árbol de la vida”, realizada em 1960 por de Leonora Carrington (Reino Unido, 1917 - 2011, México), reflete a profunda busca espiritual e simbólica que marcou a vida e a obra da artista.

Criada quando Carrington já vivia no México, a obra combina elementos do surrealismo com referências ao misticismo, à Cabala, ao budismo e a mitologias pessoais. A árvore central surge como eixo da existência, ligando o mundo material ao espiritual, enquanto figuras humanas, animais e criaturas híbridas orbitam em torno dela, sugerindo a interdependência de todas as formas de vida. O uso de cores intensas e formas circulares transmite movimento e transformação, reforçando a ideia de um ciclo contínuo de conhecimento e renascimento. Sem oferecer uma interpretação fechada, Carrington convida o observador a refletir sobre o sentido da vida, do mistério e da conexão entre o visível e o invisível.

Mary Potter (1900–1981) construiu uma trajetória marcada por persistência, silêncio e uma devoção radical à pintura. Ao ...
18/01/2026

Mary Potter (1900–1981) construiu uma trajetória marcada por persistência, silêncio e uma devoção radical à pintura. Ao sair da escola de arte, em 1921, ouviu de seu professor Henry Tonks que, para ter sucesso, deveria abandonar tudo — inclusive o casamento. A história mostrou que não foi o matrimônio que mais a afastou da pintura, mas sim a guerra. Forçada a deixar Londres durante a Segunda Guerra Mundial, Potter viveu longos períodos de interrupção, escassez e deslocamento.

Ainda assim, sua obra resistiu. Golden Kipper (1939) foi exibida na mostra United Artists na Royal Academy, em janeiro de 1940, num momento em que arenques defumados — brilhantes e raros — simbolizavam a austeridade e a sobrevivência no cotidiano britânico. A pintura transforma um objeto simples em presença luminosa e quase solene, revelando o olhar atento de Potter para a vida ordinária e suas tensões históricas.

O reconhecimento, no entanto, veio tardiamente. Apenas nas décadas de 1960 e 1970 sua obra passou a receber maior atenção institucional, com exposições na Whitechapel Gallery, na Tate e na Serpentine. Essas mostras, amplamente elogiadas pela crítica, aconteceram poucos meses antes de sua morte, em 1981.

Mary Potter nos lembra de quantas artistas atravessaram o século trabalhando à margem do reconhecimento imediato — e de como a pintura pode sobreviver ao tempo, à guerra e ao esquecimento.

[ Mary Potter, Golden Kipper, 1939. Coleção Tate ]

30/12/2025

Em 2025 teve muita exposição boa, quatro visitas conduzidas à 36ª Bienal de SP, Pinacoteca, MASP, SP-Arte, ArtRio, Rotas, Art Basel Miami Beach e muita visita boa em ateliê! Sigamos! ✨

Substrato de Carolina Colichio na Casa de Cultura do ParqueÚltimos dias pra ver essa exposição, que é pura poesia, da ar...
07/11/2025

Substrato de Carolina Colichio na Casa de Cultura do Parque

Últimos dias pra ver essa exposição, que é pura poesia, da artista Carolina Colichio que trabalha com esculturas em cerâmica, pintura e instalações. Sob a curadoria de Claudio Cretti, e texto - de fato, uma poesia - de Ana Paula Cohen:

Da terra
para as mãos
Argila
Das mãos
para o fogo
Cerâmica
Da terra para os céus
Ascensão

Raíz
caule
folha
flor
Antena
língua
pescoço
boca
Encaixe de peças
construção
cidades
torres
palácios
árvores
florestas
Verticalização
Terra
água
ar e
fogo
Molda
evapora
seca e
queima
Patas, bicos
galhos e pétalas
jarro de barro
flor de mandacaru
desabrocha
e murcha
em uma noite
Natureza morta
Acende
apaga
acende
apaga
vagalume
listras de zebra
branca
preta
repetição
minimalismo orgânico
camuflagem
prende
a respiração
Fundo do mar, movimento das algas
desaceleração
ritmo entremeado por silêncios
mergulho no inconsciente
profundo
atemporal
Escamas, poros, conchas, cera
canto da sala
semente, grão
navega
entre os reinos
mineral
vegetal
animal

Cada peça
inspira
tempo
expira
espaço

Ritmo da vida, sopro, expansão

A fonte, o chafariz
umbigo do mundo
jardim
rios subterrâneos
das cidades
invisíveis
Inundação
Bacia hidrográfica
Piratininga
maré baixa
cor em pausa
monocromo
água e sal
Amonitas
pré-históricas
em espiral
Movimento de pulso
revela, esconde
ritmo pendular
Ouvir as peças batendo
ao som do vento
filamento
Esvazia
e volta ao chão
dos céus à terra
substrato
raízes
nutrição
——-

Fotos Raphaela Cinquepalmi

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Seba Calfuqueo (Santiago, Chile, 1991) é uma artista mapuche cuja prática se baseia na reflexão crítica sobre a ordem co...
16/07/2025

Seba Calfuqueo (Santiago, Chile, 1991) é uma artista mapuche cuja prática se baseia na reflexão crítica sobre a ordem colonial e seus efeitos nas sociedades indígenas e globais. Seu trabalho inclui instalação, cerâmica, desenho, fotografia, performance e vídeo, disciplinas com as quais ela explora as semelhanças e diferenças culturais, bem como os estereótipos que surgem no cruzamento entre as formas de pensar indígenas e ocidentais. Além disso, seu trabalho torna visíveis questões relacionadas ao feminismo e à dissidência sexual, promovendo um diálogo crítico com o espectador.

A partir de uma exploração biográfica que conecta o pessoal com o global, Seba Calfuqueo busca redefinir noções de identidade e gerar um diálogo crítico que transcende fronteiras e desafia paradigmas estabelecidos.

Na série Natura, de 2023 (imagens 1-2-3), a artista explora imagens retratam uma fusão entre o ser humano e a natureza, ao contrário da ideia do que entendemos como paisagem. O trabalho propõe que a condição humana é parte de um todo, assim como parte da natureza, uma visão diferente do que a modernidade fez nossas sociedades acreditarem.

Já na série Esporas, de 2021 (imagens 4-5-6), a fusão acontece entre o corpo humano e diferentes elementos vivos: líquen, musgo, rochas e solo.

O trabalho propõe uma reflexão sobre a integração do corpo aos ecossistemas atualmente presentes na natureza, e como eles são um reflexo de uma forma coletiva de pensar.



A pintura Interior with Artist’s Daughter (c. 1935), de Vanessa Bell, retrata um momento íntimo e silencioso da vida na ...
13/07/2025

A pintura Interior with Artist’s Daughter (c. 1935), de Vanessa Bell, retrata um momento íntimo e silencioso da vida na casa de Charleston, onde a artista viveu com sua filha Angelica, que aparece sentada em meio ao ambiente caloroso e decorado com objetos que revelam a fusão entre arte e cotidiano, característica marcante do universo estético de Bell. Mais do que um retrato afetivo, a obra revela o modo como Vanessa transformava os espaços da vida em composições pictóricas carregadas de subjetividade.

A casa de Charleston, com seus interiores criativamente ornamentados, foi também um importante centro de encontro artístico e intelectual, frequentemente visitado pela irmã da artista, a escritora Virginia Woolf. O vínculo entre as duas é profundamente entrelaçado pela arte e pela escrita. Assim como Virginia revolucionava a literatura ao explorar a interioridade e a fluidez do tempo, Vanessa o fazia na pintura, construindo cenas em que o íntimo e o estético se fundem numa linguagem própria.

Vanessa Bell ( Reino Unido, 1879-1961)
Interior with Artist’s Daughter, 1935-36

Em diálogo sensível e silencioso, as obras de  e  se encontram num território tênue, entre o que se preserva, e o que se...
10/06/2025

Em diálogo sensível e silencioso, as obras de e se encontram num território tênue, entre o que se preserva, e o que se transforma.

Seus gestos artísticos, ainda que distintos, partem de um mesmo impulso essencial: a contemplação íntima do mundo natural e a escuta atenta do tempo em suas formas mais sutis.

Para Ana Sant’Anna, pintar é um gesto de suspensão do tempo. Suas telas evocam a delicadeza da efemeridade, a espuma de uma onda, o aparecimento de uma estrela, o resíduo de uma paisagem ao entardecer. Sua pintura, precisa e silenciosa como a caligrafia de seus cadernos de anotações, é uma tentativa poética de deter o tempo, como quem caminha até a praia apenas para ver o mar.

Já na cerâmica de Anália Moraes, o tempo é matéria e processo. Suas peças atravessam estados, do sólido ao líquido, do mineral ao vidrado, em transformações químicas que ressoam com o movimento incessante das marés. Seus materiais, colhidos em praias e rios, parecem carregar a memória geológica do mundo, mas também algo efêmero, como um vidro que se dissolve.

Segundo o curador Jacopo Crivelli Visconti, o que une essas duas práticas é menos uma afinidade formal e mais uma vibração compartilhada, um modo de estar no mundo. Um olhar apurado para algo que entre definições, de estado, de tempo. Como diz o próprio curador da exposição, Jacopo Crivelli Visconti: “Esta exposição é um pouco assim: um hiato, o tempo suspenso, e ao mesmo tempo o fluir incessante do tempo.” E ele segue: “Essas relações tão distintas com o tempo — por um lado, a vontade de suspendê-lo, por outro, a de se imergir nele e fluir com ele — se dissolvem na constatação de que há no trabalho das duas uma vibração análoga, uma espécie de ruído de fundo que não vem, suspeito eu, das obras em si, mas da maneira como Ana e Anália estão no mundo, de como se relacionam com o mar, o céu, a areia, a terra, da maneira como caminham, das pedras ou dos galhos que recolhem em suas derivas.”

Enetremarés, exposição de Ana Sant’Anna e Anália Moraes, e curadoria de Jacopo Crivelli Visconti na em SP.

Na semana passada, tive a honra de dar uma aula para um grupo especial, o tema: “Maria Martins e a Transfiguração do Cor...
14/05/2025

Na semana passada, tive a honra de dar uma aula para um grupo especial, o tema: “Maria Martins e a Transfiguração do Corpo Indômito”, minha pesquisa de mestrado.

Nascida no Brasil, mas com grande parte da vida vivida fora do país, Maria Martins foi muito mais do que uma artista “surrealista” — ela foi embaixatriz, escritora, articuladora cultural e uma figura essencial para o fortalecimento da arte moderna brasileira.
Com uma trajetória marcada por deslocamentos e múltiplas identidades, ela usou a arte como forma de resistência, liberdade e transformação.

Sua obra, que flerta com o onírico e o simbólico, desconstrói padrões e celebra o corpo indômito, aquele que não se submete.

Foi graças a sua articulação que instituições como o MAM Rio de Janeiro e a Bienal de São Paulo ganharam forma e prestígio internacional. Uma mulher à frente do seu tempo, que soube usar sua posição diplomática para abrir caminhos para a arte no Brasil e no mundo.

Nesta aula, aprofundamos em sua vida, sua obra e seu impacto — resgatando uma figura essencial que por muito tempo foi esquecida pela história oficial da arte brasileira.




A obra Les Deux Sœurs (1928), de Suzanne Valadon, é uma pintura à óleo sobre tela que retrata duas jovens sentadas lado ...
13/04/2025

A obra Les Deux Sœurs (1928), de Suzanne Valadon, é uma pintura à óleo sobre tela que retrata duas jovens sentadas lado a lado em um sofá. As duas personagens de traços fortes exemplificam a abordagem direta e expressiva da artista francesa Suzanne Valadon, que desafiou as convenções de sua época, tanto em sua vida pessoal quanto em sua obra.

Nascida em 1865, ela começou sua carreira como modelo para artistas como Renoir e Toulouse-Lautrec, antes de se tornar uma pintora autodidata, até ser uma das primeiras mulheres a ser admitida na Société Nationale des Beaux-Arts.

Valadon é conhecida por suas representações ousadas e realistas do corpo feminino, frequentemente retratando mulheres em poses cotidianas e não idealizadas e romantizadas. 🤍

Endereço

Avenida Professor Fonseca Rodrigues, 1300
São Paulo, SP
05461-010

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