02/12/2020
Essa é minha avó, Dona Z**i, ou Véia Zilda que é como eu a chamo. Ela é um dos meus maiores refúgios.
A quarentena me tirou seu colo. Era pra casa dela que eu corria quando queria abrigo.
Abre um buraco no meu peito do tamanho do mundo sempre que penso em todos esses meses que passei sem abraça-la, meses em que eu não pude ficar uns dias com ela, que não assistimos séries juntas, nem ouvi um ‘caraca maluco’ sempre que eu perturbava demais na hora da novela. Nem ouvi ela falando por horas sobre alguém que nunca vi na vida, que é parente de fulano e morreu de causas naturais... “Você conhece sim, menina. É Fulano primo da Dona Coisinha que morava ali na outra rua, morreu tadinho, era novo, só tinha 96 anos”
Demorei a postar essas fotos porque precisaria por na legenda sentimentos que tenho evitado trazer à tona nesses últimos meses, sentimentos difíceis de se colocar em palavras. Sobre a saudade e o medo da perda.
Mas é necessário pra que alguns amigos entendam porque eu não tenho saído com eles mesmo com todo mundo vivendo normalmente. Tá aí motivo. É por ela que eu continuo em casa. Se não posso abraçar minha avó sem medo, não tem lógica eu ir em bar lotado ou festas, não tem lógica viver como se nada estivesse acontecendo. Espero que vocês entendam e me perdoem ok?
Só sei que quando a vacina sair vou acampar na casa dela por meses pois saudade de comer arroz, feijão e bolo de aipim que só ela sabe fazer. Torço pra que seja logo.