28/09/2020
"Apesar de haver essa relação entre Borá e pajelança, afirma-se naqueles terreiros que Borá não tem nada a !er com a Cura e Pajelança, que é “Mina de pajé" - Expressão ouvida da mãe/de/santo Maria dos Reédios e por nós interpretada como tambor para entidades não africanas recebidas em terreiro aberto por curador que se tornou “mineiro". (FERRETTI, 1997).
Na Casa Fanti Ashanti, dentre todos os rituais praticados existia o canjerê - festa que concilia tradições africanas e indígenas, cantada em tupi-guarani. A festa se realiza no dia 29 de Setembro, dia em que se celebra no catolicismo a festa de São Miguel Arcanjo. Em algumas outros terreiros de São Luís que realizavam o ritual de Canjerê, a festa era sicretizada a outros santos (como São José dos Índios), na Casa Fanti, porém, a festa se realizava no dia de São Miguel e possuia um contejo pelas ruas do bairro com a imagem do santo guerreiro. A chegada da imagem era recebida com rituais específicos e as entidades recebidas no canjerê já se faziam presentes nesse momento, a partir de então, começava-se o ritual com cânticos em língua tupi e outros dialetos indígenas (Texto nosso).
Como já esclarecemos, na Mina do Maranhão, os caboclos nem sempre têm origem indígena e os que têm não se manifestam de modo selvagem nos toques de Mina. Há uma tendência nos terreiros maranhenses para distinguir índio (selvagem, que usa arco, flecha e vestimenta de pena), caboclo de pena (índio aculturado) e caboclo (não índio, às vezes turcos ou descendentes de nobres europeus). Em terreiros de Mina a exibição de características selvagens, o usos de arco, flecha e de vestimenta indígena por médium incorporado, geralmente, só aparece em rituais destinados exclusivamente a entidades indígenas (como o Tambor de Índio, Borá ou Canjerê,realizado com uma estrutura diversa do toque de Mina), no Brinquedo de Cura (Pajelança) ou na Gira de Umbanda, quando ha incorporação com entidade indígena. (FERRETTI, 1997).
*Vídeo: Maracá Cultura Brasileira
*Textos: FERRETI, M. TAMBOR DE MINA E UMBANDA: O culto aos caboclos no Maranhão. O Triangulo
Sagrado, Ano III, n. 39 (1996), 40 e 41 (1997).