11/06/2024
Hoje completa 81 anos Dona Armelinda, uma mulher que pode ser resumida numa única palavra: lutadora. Lutou pelo marido, pela família, pelos filhos e diante das dificuldades da vida, até conseguir a estabilidade tão sonhada por aqueles colonos que vieram de Ilópolis para Santa Catarina em busca de sua América. Fazia três turnos de trabalho, levantando às 5:00h., tantas vezes sob geada e ventos gelados, para a estrebaria, depois para os trabalhos do lar e a tarde na roça puxando enxada. Nunca se furtou ao trabalho, a um passo de dança e um copo de vinho. Vinho que pedia para eu comprar escondido do meu pai, por que este não gostava que ela bebesse. Sentávamos na sua sacada e ela colocava para tocar o Teixerinha e ficávamos lembrando dos tempos outrora dela quando criança brincava dentre os pés de Erva-mate no Norte riograndense. Depois foi Santa Catarina e toda e estória das famílias italianas, regadas a bom queijo, salame e música.
Aos setenta anos o Alzheimer começou a derrotá-la,. tirando-lhe as lembranças, devagar, matreiro e em seguida lhe tiraram o vinho e assim ela acabou tomada pela tristeza de esquecer tudo. E assim, como recompensa por tanta luta, DEUS, o benevolente lhe concede este final de vida onde mal reconhece seus filhos e vive com medo de tudo, sendo tratada como uma criança (com a maior boa vontade dos que o cercam) quando deveria ser tratada como uma rainha.
Na última vez que a vi me disse para por uma camisa, por que estava muito gordo e era feio. Tem razão, mãe, é feio mesmo e nisso tantas outras coisas que me falou e não levei à sério.
Bom, de ingratidão e injustiças a vida tá plena e eu e Deus não fomos justos contigo.
Beijos!