03/09/2026
“A Fé que Acostumou a Falhar” (2018), do nucleo.arcenico
Por Alexandre Mate (Alexandre Mate )
Andar com fé eu vou/ Que a fé não costuma faiá
[...]
Que a fé tá na mulher/ A fé tá na cobra coral/ Oh, num pedaço de pão
A fé tá na maré/ Na lâmina de um punhal/ Oh, na luz, na escuridão
[...]
A fé tá viva e sã/ A fé também tá pra morrer/ Oh, triste na solidão”]
Gilberto Gil (Andar com Fé).
Obra inserida no hibridismo, ainda mal compreendido – por número significativo, de gente leiga e especialista – entre dança e teatro. Em tese, e a partir de proposições (im)postas pelas formas hegemônicas, o teatro teria de transitar com camadas de objetividade, mesmo se experimental, e a dança se caracterizaria por um território de camadas de subjetividade. Particularmente, e como profissional, a participar, tanto em festivais e mostras de teatro, como em comissões de premiação e de seleção de projetos, tive a oportunidade de acompanhar calorosas discussões sobre tal procedimento “separatista”.
As visões ortodoxas e fundamentalistas (bastante apartadas dos processos dialógicos), tendencialmente, buscam a confortabilidade das caixinhas prontas para delas retirarem os seus equipamentos, procedimentos, caminhos... (mesmo críticos).
No sentido de criar uma fissura, também com relação à confortabilidade do senso comum, o título conferido à obra em destaque, manifesta a falha provocada pela fé; em tal perspectiva, talvez quase em contraparáfrase aos versos da música Fé Cega, Faca Amolada (de Milton Nascimento e Ronaldo Bastos): “Vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada/ O brilho cego de paixão e fé, faca amolada”). No sentido de explicitar a quem viria a assistir ao espetáculo, figurava de peças de divulgação, o seguinte texto:
(continua…)