Papoula Rubra

Papoula Rubra Psicóloga não praticante. Artista na literatura. Escritora na arte. Pesquisadora delirante. Papoula Rubra (Paula R. S. Nunca estudou Jung no curso. Arrisca mais.

Santos) atuou com o nome artístico Paula Peregrina até 2021. Viveu a infância e adolescência em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Mudou-se para a capital mineira por volta dos 18 anos em busca de independência, iniciando uma jornada de mudanças menores e significativas entre repúblicas, bairros, cidades e estados. Interrompeu a contagem ao somar 40 mudanças e perceber qu

e o nomadismo continuaria, mesmo contra o seu cansaço, pois sabe que ainda não encontrou o seu lugar. Na transição da adolescência para a vida adulta, inapta a ingressar no curso de letras da UFMG na primeira tentativa, castigou-se pelo resultado ultrajante nas provas de língua portuguesa e literatura, decidindo-se na última hora por qualquer curso que prometesse estabilidade. Não suportou um semestre sequer na faculdade de direito da PUC-MG, mudando-se estrategicamente para o prédio ao lado, levando sua bolsa de 100% do ProUni, a motivação despertada por um livro de Jung sobre sonhos e seu interesse no que conheceu sobre psiquiatria com base nas matérias da revista Galileu, supondo que a psicologia seria algo parecido, embora não soubesse nada sobre o campo. Formou-se em 2012 e trabalhou nas áreas de educação profissionalizante, políticas públicas e terceiro setor, alcançando alguma estabilidade próxima da esperada para uma pessoa adulta. Entre 2014 e 2015, lança os dados entre a estabilidade de seguir na carreira e fazer mestrado em ciências sociais ou o risco em voltar para a graduação na busca por um horizonte profissional com o qual tivesse maior afinidade. Os dados empatam e ela aposta na mudança, a graduação em letras. Durante o curso, é seduzida pela arte e tudo o que desconhecia dela enquanto aluna extensionista no Centro Cultural UFMG. Durante alguns meses se manteve no emprego como psicóloga social, na atividade de extensão e frequentando o curso noturno. Então, uma reviravolta provoca sua inabilidade para ser sensata. Ao mesmo tempo lida com atrasos salariais devido à crise no estado, a saída repentina do roomate a deixando com contas a mais e outros aborrecimentos que a levam a questionar suas escolhas. Conclui que a estabilidade prometida pelo status da profissão que exercia não existia. Pede demissão do emprego para mergulhar nas atividades criativas, sem reservas financeiras, volta à condição de estudante desempregada no trânsito quartos, primeiro na casa dos pais, depois em repúblicas. Percebe que o curso de letras não atende ao seu interesse pelo aprofundamento nas experiências criativas com a linguagem, iniciando uma itinerância entre os cursos de artes da UFMG, UEMG e culmina na transferência para graduação em Artes Visuais na UFRJ, em 2018. No mesmo ano, é selecionada pela Galeria Curto Circuito para realizar o que seria a sua primeira obra, a instalação Um Teto Todo Seu. Apesar do apreço pelo curso, não o conclui por dificuldades em sobreviver no Rio de Janeiro, buscando um recomeço no mestrado em artes visuais na mesma universidade diante da possibilidade de bolsa. Conclui o mestrado em 2021, ingressando no doutorado em Artes da UFMG no mesmo ano. Em meio ao caos das mudanças e da busca por um lugar próprio, publicou o romance Terras Secas (Pandorga, 2017) a partir da aprovação no Edital Descentra Cultura 2015 da FMC-BH, o livro Mulheres Falando Só (Mondru, 2023), além de poesias e contos em revistas e antologias. Participou de algumas exposições artísticas com performances, vídeos e intervenções digitais. Continua fazendo arte e literatura sem lugar.

Qual a distância entre o que sentimos e como manifestamos nossos afetos? O que esse desnivelamento nos custa? Como os mo...
11/09/2024

Qual a distância entre o que sentimos e como manifestamos nossos afetos? O que esse desnivelamento nos custa? Como os modos de viver e se relacionar na contemporaneidade impactam na saúde mental e seus desdobramentos sintomáticos? Quais camadas, para além do indivíduo, interferem nessas questões?

Nesta live as escritoras Papoula Rubra e Sarah Munck conversam sobre saúde mental, levantando questões e pensando possibilidades de reinvenção nos modos de viver as afetividades como caminho para prevenção ao sofrimento psíquico e suas manifestações extremas, dentre as quais o suicídio é uma culminância.

Educação, saúde pública, neurodivergência questões de gênero, o silêncio sobre os sofrimentos mentais e o tabu acerca do suicídio serão alguns temas norteadores dessa troca.

ASSISTA NO YOUTUBE, HOJE, 11/09, 20:00
https://www.youtube.com/live/a_8H6NtfFvU?si=7-RFlGhdN8sxtITz

No primeiro semestre do doutorado em artes, o professor dr. Marcelo Wasem propôs um exercício de descontinuidade, que po...
24/08/2024

No primeiro semestre do doutorado em artes, o professor dr. Marcelo Wasem propôs um exercício de descontinuidade, que por alguma razão memorizei como exercício disruptivo. Para a experiência, fiz essa proposta no story do meu antigo perfil do Instagram. A partir de um e-mail destinado a uma dentre as pessoas que se propuseram à troca, surgiu o conto “Num coração grande demais as coisas se perdem”, que compõe o livro “Mulheres Falando Só”, assim como o esboço de poema que compartilho neste post, afora outras escritas que acabarão tomando outros rumos...

Primavera Poética surge do desejo de expandir este experimento como trabalho artístico, como troca e possibilidade de proporcionar alternativas acessíveis e diferenciadas para vivência artística e literária. Em breve realizarei uma live para falar mais sobre a proposta.

Até lá, você já pode acolher a proposta no Sympla: https://www.sympla.com.br/primavera-poetica__2605207.

Nenhuma arte é perecível quando atravessa uma única pessoa que seja.Arte mesmo é sempre semente que estoura e desenvolve...
23/08/2024

Nenhuma arte é perecível quando atravessa uma única pessoa que seja.

Arte mesmo é sempre semente que estoura e desenvolve suas possibilidades no contato com as subjetividades.

Entre palavras, formas, sons, cheiros, todos os sentidos, quais sementes poéticas podem surgir do seu contato com o meu?

Venho oferecer nutrição para os afetos. Desejo a você florescer junto à primavera.

Me dê sua palavra e te devolverei gerada a partir dela uma semente poética.
Escolha a sua.

https://www.sympla.com.br/primavera-poetica__2605207

Embora na adolescência eu já apreciasse algumas/uns poetas e fosse obcecada com a jornada de Rimbaud, foi Allen Ginsberg...
21/03/2024

Embora na adolescência eu já apreciasse algumas/uns poetas e fosse obcecada com a jornada de Rimbaud, foi Allen Ginsberg quem despertou minha paixão pela poesia. Ele foi um divisor de águas no meu modo de escrever, ao me apresentar uma expressividade corajosa e um ritmo disruptivo, caótico, violentamente sensível em suas poesias com sonoridades de jazz, rock progressivo ou da nova musicalidade alternativa que mistura gêneros diversos com recursos eletrônicos.

Recentemente, dancei poesia com Calí Boreaz em “A tela finalmente escura”. Para além do trecho, compartilho a nota que escrevi na primeira página para nunca esquecer o sentimento do primeiro contato com a obra:

“Aqui li a paixão em todos os seus ritmos, intensidades, cores. Prazer sempre, existir, sentir, ser. Um olhar desesperadamente apaixonado para o mundo. Dancei com Calí, revisitei o Rio com sua sombra e com ela ainda viajei pelo México, toquei a sensibilidade de paisagens duras e abstratas, viajei por mim, errante até o fim, encontrei-a, olhei em seus olhos de mar, emergi náufraga com a sua última palavra no silêncio de uma praia devastada por passos que ali nunca passaram.” (Papoula Rubra, 13 de janeiro de 2024)

Outro livro de poesias que recentemente me marcou foi Doze Passos até você, de Luciana Annunziata, cuja sedução da narrativa costurada ao poema me levou a tornar-me personagem, viver cada momento de expectativa, tesão, fracassos e esperanças manifestas entre o cotidiano e o sonho de uma relação.

Ouso colocar entre estes recortes da poesia que me cativou algo meu e...

Salve as poetizas, os poetas, a escrita, a literatura sempre e neste dia mundial da poesia!

Referência dos trechos/poemas mencionados:

🖋Falação. No livro: Mulheres Falando Só, Papoula Rubra (Mondru, 2023)
https://www.papoularubra.com/livro-mulheres-falando-so

🖋América. No livro: O Uivo, Kaddish e outros poemas. Allen Ginsberg (L&PM Editores, 1984)
https://lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaID=152905&ID=322390

🖋IV. terra: azul laranja aos losangos. a tela finalmente escura. Carolina Floare Boreazz (Kafka Edições, 2023)
https://kafkaedicoes.com.br/produto/a-tela-finalmente-escura-livro/

🖋Projeto falido de poema promíscuo. Doze passos até você, Luciana Annunziataa (Editora Urutau, 2023)
https://editoraurutau.com/titulo/doze-passos-ate-voce

Vou participar do evento Expo Vitrine Aberta.Tive a honra de ser convidada para a  pela  , uma das idealizadoras da expo...
14/02/2024

Vou participar do evento Expo Vitrine Aberta.

Tive a honra de ser convidada para a pela , uma das idealizadoras da exposição voltada para o empreendedorismo feminino.

Estarei lá, mesmo com o pezinho trincado, das 09:00 às 17:00, no . A entrada é gratuita! O espaço é uma delícia, tem natureza, música ao vivo, piscina com day use e comida feita no fogão à lenha.

O livro Mulheres Falando Só estará à venda e também vou oferecer oficinas de escrita criativa.

Inscrições no link: https://linktr.ee/papoularubra

Compartilharei o espaço com mulheres maravilhosas, expondo trabalhos diversos que mostram a nossa multiplicidade e criatividade em ação.

Confiram:



geleias





atelie






Bora lá prestigiar o nosso trabalho!!

3 lançamentos, cada um com 3 mulheres conversando e muita festa, para fazer Mulheres Falando Só circular e mais de nós d...
23/01/2024

3 lançamentos, cada um com 3 mulheres conversando e muita festa, para fazer Mulheres Falando Só circular e mais de nós descobrirmos que não estamos sozinhas.

Os lançamentos serão também momentos para exaltar a literatura e a cultura. As programações vão contar com roda de conversa entre a autora e convidadas, música ao vivo, sarau aberto e sessão de autógrafos em espaços sem limitações para celebrar!

Para acompanhar a liberação das programações com detalhes, me acompanhe, favorite o perfil ou se inscreva no link: https://forms.wix.com/r/7127249194397467637

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Até já!

Deixo meu agradecimento às convidadas que acolheram o convite e às parcerias apoiadoras até o momento!!

Grazi Silva
Suely Pereira de Almeida
Cleide Simoes
Mell Renault
Josie Conti
Luciana Annunziata
REC 80
Heráclito Maia
Espaço Barão Gourmet
Museu Imaginário
Patuscada Livraria e Café
São José FM

Li Pedras de Malacacheta em uma deitada, como há muito tempo não acontecia com nenhum livro. A escrita de Eduarda Rodrig...
15/01/2024

Li Pedras de Malacacheta em uma deitada, como há muito tempo não acontecia com nenhum livro. A escrita de Eduarda Rodrigues é carismática, nos enredando em uma leitura com aquele gosto de boa conversa que rende por horas, sem que a gente veja o tempo passar.

Os contos curtos e leves manifestam sua força na simplicidade, enxugando o drama do trágico cotidiano, talvez, uma narrativa de pedra, não pela dureza, mas pela resistência aliada à beleza cristalina. Os primeiros contos insinuam um potencial romance. Promessa? Só a autora poderá dizer.

Como quem caminha ao lado de uma pessoa desconhecida por um breve trecho em uma viagem, senti em cada palavra a intimidade desapegada ao segredo, de quem relata com paixão as paisagens e fatos, me abandonando ante a despedida à minha ignorância sobre todo o mais, munida apenas de imaginação para preencher os espaços vazios e a promessa, que não sei se existe, de um romance por vir.

Pedras de Malacacheta está a venda no site da Mondru


15/12/2023

Sumário poético do livro Mulheres Falando Só, elaborado com trechos de todos os contos, poemas e prosas poéticas na sequência do sumário. A pré-venda será finanlizada hoje às 20:30. Aproveite o desconto! Acesse a página https://www.papoularubra.com/pre-venda-mulheres-falando-só para conhecer mais sobre o livro e/ou adquirir.

Texto do vídeo:

Meia luz
Vago dispersa do mundo
árida, cética, sedenta
Em muitos anos, muitos mesmo, muito pouco por ali mudara.
As guardiãs das pérolas perderam o encanto.
Aconteceu o que não imaginava ser possível: o silêncio cresceu.
Um óbito lento
assassinando os dias
As emoções bem guardadas, os desejos acorrentados, quando se manifestam?
Perdeu-se no bolso furado da alma.
Esperava que ele resolvesse a sua dúvida, nunca claramente revelada.
Mais distantes no tempo que no espaço
assassinamos lentamente nossa conexão.
Ardo em febre por infecções de mágoa,
tal fosse a paixão uma doença descontraída.
Eu sabia que na terra eu sempre conseguiria me encontrar, mas no mar eu poderia me perder
até a asfixia
à explosão
ao desvario!
Ainda não nos destruímos todos, nem destruímos tudo, mas já destruímos muito.
Falado hoje
amanhã esquecerão.
A morte era a irresistível estrela em sua impossibilidade de assimilação.
No caos burocrático da democracia
tento viver, tento me surpreender, arrisco, aposto, desejo.
Mas enquanto não rola, embola
enrola nos calcanhares
dá nó.
E sobre essa falta de manejo para a vida vejo superficialidade ou especulação charlatã em tudo o que vendem com embalagem descartável de sabedoria.
“Mas, o oceano é infinito...”
Não sei até onde vou ou até quando poderei ir. Sei que meu coração ganhou nova vida, quando ao me olhar no espelho, em vez de ver a opacidade do que em mim se foi, eu vi a vitalidade do que em mim resiste.
A voz soprano do furacão
também canta do tempo a reviravolta.
Me imaginei, então, como um gato, invadindo os tetos da vizinhança, telha por telha, com pulos suaves,
tecendo sentidos como Penélope - quem sabe
da tapeçaria inconclusa possamos ainda
alisar os cordões da esperança mais um dia

Esta publicação é mais um trabalho maravilhoso da Mondru Editora.

Endereço

Rua Rio De Janeiro, 1001
São José Da Lapa, MG
33350-000

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