14/09/2021
Sobre o Matisse, novos ciclos e morar sozinha.
Era para ser mais uma releitura de Matisse. Não foi, ou pelo menos não foi apenas mais uma releitura ou sei lá se foi também. Tive um encontro com a obra Intérieur au vase étrusque a partir de um poema que a leu pra mim. Era um poema em que o João Cabral de Melo Neto descrevia a obra, a partir da sua perspectiva — obviamente. Ele encheu de sentido a imagem pela poesia. Isso é tão bonito, né?
(Acabei de reler esse comecinho de texto e estou num misto de me achar chiquíssima e também um pouco aleatória por estar escrevendo isso, a essa hora, com o Brasil pegando fogo — mas sigamos)
Acontece que não conhecíamos a obra e fomos procurar a imagem poetico-apresentada logo em seguida. Eu discordei bastante da perspectiva do João. Já não me lembro exatamente em quais aspectos. Sei que fiquei hipnotizada pelas cores, texturas e “bagunças” do Matisse. Eu me demorei um tempo na imagem e fiquei imaginando quem era aquela mulher e porque tinham aquelas bolas/frutas espalhadas em cima da mesa. Sei lá, imaginei que era uma moça em sua casa, que morava só. Mas é óbvio que eu definitivamente estava me projetando na imagem — até porque o momento em que eu e a moça da pintura fomos apresentadas estava turbulentíssimo — período em que eu eu estava procurando um cantinho para morar, sozinha — pela primeira vez.
Acho que projetei tanto também pela quantidade de plantas nesse cômodo em que ela está. É que tenho andado prestando mais atenção nos verdes e fazendo alusões (as vezes um pouco óbvias) sobre os ciclos das plantas e a vida. Tanto, que é primavera… Tempo de florescer — senti o seu julgamento daqui, sobre essa frase que tias costumam repetir e repetir. Não me importo, não está nada fácil e dói muito desabrochar as vezes. Acho que essa ilustração, é também sobre meu estado de troca de estações, como diz a Luedji Luna- um eu, árvore bonita.
Mas ainda nem é primavera, é?