27/01/2025
Observe atentamente a imagem que ilustra esta publicação.
Observou? Observe mais um pouco, não tenha pressa de rolar a barra. Você sabe muito bem o que vai ganhar se f**ar rolando: nada demais. Mas, se f**ar observando a cena de Henry Holiday, pintor inglês, seus olhos serão agraciados com uma espécie de colírio para a fealdade.
Certo, mas não paremos por aí. Você sabe o que se ganha observando belas imagens?
Bem, por mais que você não conheça as categorias mais refinadas da análise estética, você tem olhos e, esperamos, olhos que veem. Mais ainda, com o poder mental de imaginar, você é capaz de se transportar para a cena retratada, se tiver observado direitinho a imagem diante de si. Tudo isso é muito bom, fenomenal até. Experimente então se transportar para a cena.
Ao fazê-lo, todavia, você não precisa transportar-se para uma cena estática, imóvel. Você é capaz de dar-lhe vida. Vê aqueles pombos? Imagine-os em movimento. Vê aquela gente ao fundo? Faça os andar, conversar, observar. E, é claro, os personagens centrais: imagine desde o começo o evento central da tela.
Bem, vamos à cena. Três mulheres vêm caminhando ao longe. Numa ponte, mais à frente, um homem para, deliberadamente, para olhar.
Beatriz Portinari, aproximando-se, traz na mão junto ao peito uma pequena flor; e ela vira o rosto quando o olhar de Dante Alighieri torna-se caloroso demais sobre ele. Ao lado dela, a amiga, Donna Vanna, se vira, com olhar atrevido e um tanto debochado. Logo atrás, a dama de companhia de Beatriz olha fleumaticamente o acontecimento, que não lhe diz respeito.
Conseguiu? Ótimo.
Você poderia ainda analisar o jogo de cores que influi em nossa interpretação. Dante está de verde, esperançoso. Vanna, de vermelho, representando o extremo da paixão desgovernada. A dama, de azul, o extremo da frieza. No meio, Beatriz, a musa inspiradora, representa o equilíbrio da virtude com o dourado.
Ainda se poderia prestara a atenção aos detalhes de Florença que autor fez questão de retratar.
Vê quanto pode lucrar se apenas observar com atenção uma pintura? Exercitar essa habilidade é essencial para a imaginação.