26/06/2015
Intervenção Poesia das Cores Invisíveis
Autor: Gabriel Damasceno
Artista: Simone Sapienza Siss
Obra escolhida: Mata Hari
O Priorado do Graal
Parte I – A Flor-de-Lis
Certo dia, eu hesitei em indagar-me sobre a beleza de três mulheres importantes para a história do mundo.
Uma com beleza exótica, sem deixar de ser fascinante. Outra com uma beleza natural, já fizera parte da plebe. A última conquistou o mundo do cinema, e o coração de um príncipe. É normal faltar-me adjetivos para descrevê-las, afinal são vastos e escolher somente alguns é inviável.
A estranha beleza daquela mulher holandesa com traços indianos fez sucesso. Seus olhos flamejantes despertavam o desejo masculino. Em meio a Primeira Guerra Mundial, apaixonou-se por um capitão e com ele casou-se. Logo ele seria convidado para comandar uma tropa no Extremo Oriente. Os dois mudaram-se para Java, com o filho que acabara de nascer. Mac Leod era um marido imoral, sem escrúpulos. Ele a violentava. Logo mais, nasceria um novo fruto daquele casal infeliz, uma filha. Jeanne-Louise. Com sua chegada, o casal sofreu a perda de seu primogênito. Norman foi envenenado por uma serviçal.
Sua relação com Mac estava piorando. Com ameaças de morte, maus tratos e serviços forçados. As cartas que Mata Hari escrevia para seu pai, relatavam o declínio do seu matrimônio. As desavenças fizera com que o casal retornassem para a Holanda.
Era agosto, 1902. Leod fugira com Jeanne, a garota estava doente. Mata Hari vendeu o que restara, exilando-se na casa de sua tia em Arnhem. Mais tarde, seu ex-marido devolveu Jeanne para Mata. Sua tia pediu-a para que deixasse a casa. Com alguns trocados, ela retornou para Amsterdã, onde seu pai morava. Não contentando-se com a situação, viajou para Paris.
“Grande, esbelta, ela exibe sobre seu maravilhoso pescoço, flexível e cor de âmbar, uma face fascinante, perfeitamente ovalada, cuja expressão sibilina e tentadora impressiona. A boca, vigorosamente desenhada, traça uma linha móvel, desdenhosa, muito carnuda, sob um nariz reto e fino cujas asas palpitam sobre duas covinhas sombreadas nos limites de seus lábios. Os magníficos olhos, ligeiramente puxados, aveludados e melancólicos, são envoltos por longos cílios encurvados e têm qualquer coisa de hindu. Seu olhar é enigmático: perde-se no vazio. Os cabelos, muito pretos, repartidos ao meio, montam em sua face um quadro de impenetráveis ondulações”. Assim descreveu-a um romancista da época. Mata Hari apaixonada por literatura indiana e por textos budistas, ingressou no mundo da dança. Sendo exaltada no mundo das artes, sua beleza exótica era aclamada pelos homens. Mata não escondia sua atração pro homens afortunados.
Mata Hari foi acusada de espionagem durante a Guerra. Sendo punida por fuzilamento. Os homens que a mataram tiveram de ser vendados para não serem encantados por sua beleza. Um dos maiores ícones femininos de todos os tempos, até hoje gera controversas sobre o “crime” que cometera.
A flor-de-lis era seu símbolo. Dava-se essa atribuição por sua excêntrica e natural beleza. Ela representa o Graal, o cálice que levava o sangue divino. Sendo este um símbolo de representação ao feminino. Mata Hari e mais duas outras compunham o que eu chamo de Priorado do Graal.