26/09/2025
Hoje é dia desse cara que, desde criança, admiro profundamente. Via de regra minhas homenagens à ele são feitas em extensos e-mails, nos quais resgatamos o saudosismo das cartas, mas hoje me surgiu um ímpeto de exaltá-lo em público.
Meu tio Bira. Aquele que desde criança travava comigo profundos diálogos filosóficos, e talvez daí a minha mania de querer filosofar sobre tudo. Que conversava comigo e com as demais crianças da família de igual pra igual, e com isto me fazia sentir que minhas ideias e palavras tinham relevância, porque pra ele, a sabedoria das crianças e dos jovens tem tanto valor quanto às dos adultos. E eu conseguia sentir verdadeiramente isso. Ele que é poeta, e enxerga o mundo e a natureza com olhar de poesia, lentes estas que talvez a convivência com ele tenham me feito adotar para minha vida. Admirar a beleza da luz do sol, a potência, a cura e a imensidão do mar, a delícia de desfrutar com profundidade e leveza das coisas simples da vida. Ele que resolveu fazer direito depois de algumas estradas e me contava, com fascínio, sobre suas descobertas, sobretudo a respeito das bases e princípios jurídicos que permeiam nosso ordenamento, por vezes intrínsecamente alinhados a conceitos da filosofia e da sociologia. Ele que é autêntico e não tem medo de viver a vida com verdade, alegria e contemplação. Formamos uma dupla sinérgica de baralho: ele com a ousadia de correr atrás da batida para pegar o morto, e eu na retaguarda absorvendo as cartas descartadas, ressignificando-as, tecendo as bases para as canastras. Curiosamente me interessei pela arte, curiosamente me interessei pelo direito também. Suas palavras sempre foram pra mim um farol, para onde sabia que poderia direcionar meus passos com riqueza e propósito. Que este novo ciclo seja ainda mais deslumbrante tio, e que possa descobrir e redescobrir, de novo e de novo, o que há de mais fundamental na vida. Te amo! Feliz aniversário!