06/04/2026
Solar Grandjean de Montigny e Museu do Neo-Realismo
“Imagens da revolução dos cravos”
Período: 9 de abril a 30 de junho
Abertura: 9 de abril das 17 às 20 hs
Curadoria:
David Santos (Diretor Científico do Museu do Neo-Realismo e curador da exposição) António Pedro Pita (Curador da exposição)
A exposição Imagens da Revolução dos Cravos, organizada pelo Museu do Neo-Realismo (Vila Franca de Xira, Portugal) e pela Cátedra Padre António Vieira (PUC - Rio de Janeiro, Brasil) pretende assinalar os cinquenta anos do movimento militar ocorrido em Portugal no dia 25 de Abril de 1974, bem como o processo revolucionário até à aprovação pela Assembleia Constituinte da nova Constituição Portuguesa, a 2 de Abril de 1976.
Imagens da Revolução dos Cravos optou por dar a ver os olhares que viram a revolução de Abril. Os textos selecionados são poucos não pela escassez da produção escrita, mas porque se conjugam bem com a visualidade plástica do conjunto, onde se incluem desenhos e gravuras de Rogério Ribeiro e Cipriano Dourado, e fotografias de Alfredo Cunha.
A primeira página do Diário de Notícias mostra a realidade imediata capturada pela atenção jornalística: A ampla síntese do título anuncia um caudal tumultuoso de acontecimentos que excede a capacidade de fixação ou de síntese. O poema de Sophia de Mello Breyner Andresen é a expressão belíssima de uma concisão mais alta: tornou o 25 de Abril o nome desta e de todas as revoluções, com aquele verso fulgurante "O dia inicial inteiro e limpo".
“Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo”
Sophia de Mello Breyner Andresen,
em O Nome das Coisas
O texto de José Gomes Ferreira é uma crónica: a apresentação de uma experiência singular modelada por uma surpresa radical. Na voz do seu poeta José Carlos Ary dos Santos, "As portas que Abril abriu" não é só uma torrencialidade que se contrapõe à concisão de Sophia é também sopro épico; e é sobretudo desejo de que a poesia esteja na rua. Publicada numa revista noticiosa de grande circulação, a reportagem da Triunfo exemplifica a importância que a revolução queria suscitar.