21/10/2020
As ferramentas de inteligência artificial e análise de dados são hoje fatores relevantes para a sobrevivência das empresas no mercado. Esses artifícios tecnológicos se mostraram essenciais para atender à alta demanda do varejo. A experiência do consumidor se tornou muito mais rápida e prática.
No entanto, com os novos recursos vieram novos desafios. Para não se perderem diante da funcionalidade dos robôs, as marcas precisaram buscar outras formas de criar vínculos com seus consumidores. E mais uma vez, a própria tecnologia trouxe uma solução.
Aquele antigo conceito de mascote como uma personificação da marca que comunica seus valores ao público foi atualizado. As figuras animadas, às vezes até caricatas, deram lugar a uma nova geração de personagens bem mais complexos.
O Baianinho das Casas Bahia, ativo desde 1960 com apenas algumas pequenas alterações, foi substituído semana passada pelo CB, um adolescente de traços mais verossímeis que o anterior. Já a distribuidora de GLP Ultragaz abriu em julho uma votação para o próprio público escolher o rosto da sua inteligência artificial. Com mais de 87% dos 36 mil votos, foi escolhida a candidata fictícia de 36 anos, formada em Comunicação, Ully U - ainda mais realista que o CB.
De acordo com Pedro Alvim, gerente de conteúdo e redes sociais da Magazine Luiza, a porta-voz da empresa - criada em 2003 para gerar mais confiança na experiência do e-commerce - representa hoje muito mais do que isso. A Lu já é praticamente uma influenciadora digital, com linguagem e feições cada vez mais modernas e uma gama de seguidores cada vez maior. Só no Instagram, já são 4,2 milhões de usuários seguindo seu conteúdo.
A humanização da inteligência artificial não é apenas um “upgrade” das ferramentas de criação, mas também uma forma de gerar verdadeiras conexões. Se bem escolhido, o rosto digital da empresa é capaz de despertar sentimentos de identificação ou empatia, que aproximam o consumidor do personagem e, portanto, da marca que ele representa.
Os mascotes de hoje não falam mais para o público, mas com ele.