Limiar Onírico

Limiar Onírico Leituras poético-literárias da realidade
por Fernando F Rocha

Epifania nº 2: Consciência da LiberdadeE pensar que era só deixar o corpo   cair! - já percebeu que há  _ _ _ _ _ _ _ _ ...
06/10/2025

Epifania nº 2: Consciência da Liberdade

E pensar que era só
deixar o corpo
cair!

- já percebeu que há _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _
(pensamentos / sentimentos)
que atrasam tanto que, mesmo vindo
com um sem fim de possibilidades,
deixam de ser uma ideia
e tornam-se meras constatações?

O óbvio!

Desconhecido até eu deitar
sobre a grama e entender
que surpreendentemente
pode existir prazer
em se estar jogado ao chão;
e descobrir que o ponto de onde
normalmente não se passa
também pode se tornar
a glória do vitorioso,
não sendo somente
a habitual desgraça
daquele que um dia perdeu.

E eu só tinha de me soltar!
Mas havia vergonha,
e além da vergonha,
me limitava uma grande culpa
de, possivelmente, estar pisando
onde não deveria pisar.

Só precisava deixar ser natural,
mas quis controlar.
Assim, o corpo, sem leveza,
em vez de repousar,
foi lançado ao chão
e caiu numa posição
que eu entendi como pose.

Sem controle quando queria controle...
braços, boca, sorrisos inquietos tentando se ajustar.

Sem controle quando não precisava de controle...
sentia breve, mas seguidamente, espasmos de prazer.

- a grama,
roçando as poucas partes expostas do meu corpo,
começou a me ensinar a ser livre!

☁️⛅☁️ A vista da casa dele era o céu. Olhou pra tudo aquilo e correu em direção a uma parede de nuvens que parou à sua f...
06/10/2025

☁️⛅☁️

A vista da casa dele era o céu. Olhou pra tudo aquilo e correu em direção a uma parede de nuvens que parou à sua frente.

Corria, e a efemeridade do que agora se mostrava a ele, fez com que se lembrasse das ruínas que um dia construiu. No ar, trazidos pelo vento, pedaços de sonhos já perdidos o atravessavam.

A efemeridade da vida, ou da felicidade. A efemeridade da culpa, das nuvens... Do amor.

Enquanto ele correu, enquanto lembrou do que sempre foi ruína, enquanto seus sonhos enquanto.

Enquanto. Enquanto. Enquanto... Tanta coisa ao mesmo tempo que estava novamente no fim. Quantas vezes naquele mesmo dia? O fim.

A vista da casa dele era o céu. Olhou praquilo tudo, e o dia parecia lindo.

Epifania nº 1 - Consciência do Abandono                                                   (eFFe Rocha)      A sombra na ...
20/10/2024

Epifania nº 1 - Consciência do Abandono
(eFFe Rocha)

A sombra
na minha janela
era
você...
frag
men
tos
seus
que por
ali
me chegavam
t ã o. l í q u i d o s
quanto raios de sol.

Pelas fendas da persiana
seus olhos me olhavam,
e eu só era capaz
de me perguntar

"por quê?”,

já que na cama
nossos corpos
deitavam-se juntos.

Este

vão
que
nos
separa
não fui eu quem criou.

Esse espaço
é você
tanto quanto
suas pernas,
...
suas mãos,
...
seus braços –
que ainda me envolvem,
mas que já me rejeitam.

Deixo-me cair no abismo
do distanciamento,
entre nós dois!
Me perco de você,
te confundo
com sua sombra...

Me deixo confundir!

E agora,
na janela,
lado a lado,
nos vemos
sozinhos
lá dentro.

Outonos(eFFe Rocha)Você surgiu,e eu te vi estação.Parei.Parei e penseienfimter chegadoa mais um lugar único,a um novo es...
22/09/2024

Outonos
(eFFe Rocha)

Você surgiu,
e eu te vi
estação.

Parei.

Parei e pensei
enfim
ter chegado
a mais um lugar único,
a um novo espaço,
a um ser-planeta
onde eu gostaria de estar.

A luz que havia então...
a areia,
o mar...
tudoaquilomisturadonumacoisasó
e transformado no desejo-esperança
de que nunca viesse a acabar.

Esse desejo retransformado em certeza.

Então eu soube,
adivinhei tão depressa,
quase como se já soubesse
mesmo quando ainda não sabia.

Como se já tivesse previsto.

É que tantas outras coisas,
tantas outras vezes,
estiveram por aqui...
Tantos outros tantos
que estando permaneceram,
ainda que não pra sempre,
ainda que não inteiros.

Estações.

E das primaveras e dos verões...
de um ciclo que um dia passou,
nada nunca foi em vão.
Do amor, da dor, do sol,
do vento frio entrando pela janela.
Do sorriso...
e de um gesto repetido com a mão.

De tudo e de todos
quase sempre f**a um pouco,
ainda que só um toco,
um pedaço de quase nada...

F**a uma coisa que quase se perde
quando a noite chega mais cedo
e as luzes dos postes,
desacostumadas,
demoram a acender.

Coisa frágil,
como uma folha amarela
que se desprende da árvore
quando o sol resolve esmaecer
e os dias já não são tão quentes...

Quando chega o Outono.

E essa folha,
amarela,
já dura, depois de seca,
acaba-se quando é pisada,
quando se e s t i l h a ç a
e quase toda vira pó.

Ela assim,
recém-transformada,
mistura-se à areia,
confunde-se com sal,
mas também com
m i n ú s c u l o s
p á s s a r o s que,
sem asas,
apenas se deixam
suspender pelo vento.

Em pó, difunde-se...

Seus micropedaços voam longe
ou agarram-se à pele unhas cabelo
para nos acompanhar a cada passo
que damos para nos distanciar.

Com o tempo
nos invadem a alma,
fazendo-se de nós
como se sempre tivessem sido...
Tornam-se uma parte nossa
como se ali já estivessem
antes mesmo de você,
antes de quem quer que seja
surgir, partir e nos levar
a mais um longo inverno.

Maresia(eFFe Rocha)Por parecer ter sido ontemfaz parecer ter sido há muito tempo! A ordem tanto faz... e o acontecido 2,...
22/09/2024

Maresia
(eFFe Rocha)

Por parecer ter sido ontem
faz parecer ter sido há muito tempo!
A ordem tanto faz...
e o acontecido 2, 3 dias atrás
torna-se tão próximo que,
agora,
poucos segundos após
a primeira constatação,
parece tão presente
quanto eu escrevendo este poema.

É como se eu visse
novamente a mesma cena:
o céu, o rio, o mar e os barcos ancorados.
Todos movimentados,
quase animados,
por uma brisa leve.

A mesma imagem,
em movimentos circulares,
repetindo-se em minha mente e,
aos poucos,
corroendo outros pensamentos...

Em ondas: sem previsão de parar.

O céu em looping;
O rio em looping;
O mar, os barcos todos... em looping
;
Em looping o que eu vivi
quando realmente estava;
Em looping o que,
mais uma vez,
agora eu volto a viver
e a maresia que me alcança
por ser colocado lá novamente.

O que sinto e o que senti,
assemelha-se à ideia
que se pode ter
do barco preso por uma âncora:
ainda que seguidamente
tocado pelas ondas,
nunca será livre.

E se eu resolvesse usar outras palavras,
e deixasse de lado as metáforas,
diria que aquilo foi,
e ainda é,
simplesmente tristeza.

Marola(eFFe Rocha)Por mim, f**aria ali pra sempre ouvindo o mar! Ouvindo suas ondas quebrando na praia, quebrando nas pe...
22/09/2024

Marola
(eFFe Rocha)

Por mim,
f**aria ali pra sempre
ouvindo o mar!
Ouvindo suas ondas
quebrando na praia,
quebrando nas pedras...

Quebrando o silêncio.

E desfazendo-se
em branca espuma,
ele viria me encher
de mil pedaços de sons
e sonhos,
que eu só entenderia
por já ter estado lá.

Por mim eu não sairia mais dali,
ou se saísse, seria nadando...
Como um peixe,
recém retornando ao seu lar,
em seu barco azul oceano.

Maré(eFFe Rocha)Demoro a te ver por inteiro porque, a cada braço, mão e perna, que surge dentre as águas, o mar explode ...
07/09/2024

Maré
(eFFe Rocha)

Demoro a te ver por inteiro porque,
a cada braço, mão e perna,
que surge dentre as águas,
o mar explode em espuma branca –
das ondas,
que se forçam contra o seu corpo,
e que,
em seguida,
vão tocar os meus pés
numa tentativa tardia
de me alertar
sobre a sua presença...

Vindo em minha direção
tornou-se a minha maré...
E com meus pés, canelas e joelhos,
já cobertos por suas águas,
deixo minha alegria emergir de mim
e se misturar a você que,
naquele momento,
é todo o meu oceano.

Quanto mais você se eleva,
mais as águas
em torno da minha cintura
parecem seus braços
em torno de mim.

Perdido na certeza
de que não me soltaria,
deixo de fazer
dos meus pés minha âncora
e com eles suspensos
faço breves movimentos
que começam a me levar
para longe da margem.

Ludibriado pela ilusão.

A confiança,
vinda de suas profundezas,
me faz mergulhar em você.

É quando me leva,
em sua correnteza,
para onde, um dia,
eu desejara em segredo.

Subjetiva Trindade (3)(eFFe Rocha)III - A SolidãoOuvi a melodia do seu riso contagiantereverberando, espalhando-se...tom...
04/09/2024

Subjetiva Trindade (3)
(eFFe Rocha)

III - A Solidão

Ouvi a melodia do seu riso contagiante
reverberando, espalhando-se...
tomando cada espaço vazio em mim.
Um eco
repetindo
aquela última palavra que me disse.

Disse
"Não vou f**ar".

F**ar.

Não.

Disse,
e desde então eu sou casa vazia,
caminho estranho,
estrada mal pavimentada
por onde você não passa mais.
Uma trilha,
esquecida,
por onde não passa mais ninguém.

Passo sozinho,
sempre me esforçando
para conseguir lembrar
de lugares onde estive quase agora,
quase antes, coisa de segundos...
Do exato momento em que voltei a te ver
refletido no retrovisor sujo do carro,
mostrando-se em recorte,
em pedaços do que sonhamos juntos
montados como colagem
sobre o fundo negro daquela noite
de céu não estrelado.

Só penso que não terei mais
quem vá comigo ao Cristo Redentor.
Quem vá tirar de mim
essa sensação de pedra solta,
largada,
esquecida no alto daquele morro
que sempre subimos juntos.
Ao lugar, onde, perto do céu,
entrando noite adentro,
você sempre me fez sentir estrela
só para depois me ver cadente,
perdido,
desacreditado da beleza
que é a vida com todo o seu brilho.

A mim me restou retornar,
e entrar no quarto mais frio:
a solidão...
O cômodo mais vazio
depois da sala
cheia das músicas
que você ouvia
e de seus livros empoeirados.

Cheia de você e de mim
e daqueles pequenos detalhes
que você insistia em manter
enquanto fingia que eu não estava lá.
Enquanto deixava seu olhar
passar sobre a minha cabeça,
igual ao som da sua voz
fazendo curva sobre o Corcovado
quando enfim resolveu me dizer
que,
depois daquele dia,
eu teria que seguir sozinho.

Subjetiva Trindade (2)(eFFe Rocha)II - A Ausência Depois que você se foio Cristo não voltou a acender...E parece que a c...
04/09/2024

Subjetiva Trindade (2)
(eFFe Rocha)

II - A Ausência

Depois que você se foi
o Cristo não voltou a acender...
E parece que a cidade
esqueceu de como fazer
todas as coisas
que fazia
quando você estava aqui:

eu não vi mais,
em nenhum dia,
o sol entrar pela janela;

não vou mais à Barra,
pois encurtaram a Linha Amarela;

ontem tiraram o portão verde,
e voltaram a fechar com cancela
(a entrada da minha rua);
..

agora na feira já não vendem pastel.

Sinto a sua ausência
sob a rotunda do CCBB!
Procuro em uma obra de arte,
mas nela eu não vejo
você.
E por não achar
nada
que tenha seus olhos
nem que retrate
a sua alegria,
eu saio...

O silêncio,
que me ronda
enquanto ando pelas ruas
do centro da cidade,
grita
o quanto a vida é menos feliz
quando você não está no Rio.

Subjetiva Trindade (1)(eFFe Rocha)I - A MorteImagine que a morte fosse isto:um polvo.Não um animal,mas um monstro.Um mol...
04/09/2024

Subjetiva Trindade (1)
(eFFe Rocha)

I - A Morte

Imagine que a morte fosse isto:

um polvo.

Não um animal,
mas um monstro.

Um molusco gigante
com incontáveis tentáculos.

A morte:

um ser azul,
iluminado,

surgido
ao reflexo,

feito
à similaridade,

se passando
por aquele
sempre visto no topo das noites
de céu negro e desanuviado.

Inesperada,
ainda que anunciada...

de forma surpreendente,

da escuridão,

do mais vazio do nada,

ela viria até nós
com um sorriso sem dentes
naquilo que pareceria ser
o seu rosto.

E assim,
sorrindo,
com naturalidade,
nos arrancaria a vida
pela boca,
olhos,
orelhas
e nariz

(seus braços entrando
por todas as nossas
fendas e poros,
por todos os nossos
buracos expostos,
extinguindo cada minuto,
cada segundo...

cada desejo e cada vontade).

Levaria,
em gotas,
nossa alma,
nosso espírito...

Tiraria totalmente
a nossa consciência

(aspirando não somente

tudo aquilo que,
um dia,
chamáramos de "eu"

mas também

tudo aquilo que,
em algum momento,
fisicamente,
havíamos sido nós).

Agora imagine que,
no segundo final,
ela para de sorrir.

Não vemos,
pois já não há olhos...

O último órgão que nos resta é o coração.

Tudo que restamos:

uma forma...

Uma imagem daquilo que,
um dia,
representou nosso melhor sentimento:

o amor.

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Rio De Janeiro, RJ

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