Forró de Rabeca é um projeto com a intenção de mostrar ao público a cultura do forró liderado pelo som da Rabeca. A Rabeca é um instrumento antecessor ao violino, vem de um instrumento árabe chamado "Rebab" que foi introduzido na Europa durante a invasão Moura na Península Ibérica, assim como todos os instrumentos de corda. No Brasil, a Rabeca chega para a catequização dos índios, na qual foram us
ados instrumentos vindos de Portugal. Foram trazidos também músicos portugueses na vinda da família real, que trouxeram junto todo o aparato possível do reino. Essa inclusão da Rabeca na catequização e educação do povo, fez com que esse instrumento ficasse encunhado nas raízes históricas e tradicionais brasileiras, passadas de geração à geração, tanto a forma de tocar, como a de construir. No início, os bailes de forró (que tem uma grande influência de danças medievais europeias), eram tocados na Rabeca e na Viola Caipira, tempos depois chega a sanfona de oito baixos e depois o acordeom. Nas festas de interior ritmos como o Coco, Xote, Baião eram tocados e dançados para celebrar aniversários, casamentos e dias santos. Instrumentos como Pandeiro, Triangulo, Melê, agogô acompanhavam a melodia cantada pela Rabeca. Daniel Souto, quem toca a Rabeca, de início apaixonou-se pelo som forte, diferente, melancólico e melodioso da rabeca. Como todo rabequista que não segue uma tradição oral passada de pai para filho, é autodidata nesse instrumento, Começou por volta de 2002 a pesquisar a história, toques, músicas, mestres tocadores e artesãos de Rabeca, além de folguedos, reisados e todo tipo de manifestação de cultura popular onde é usada a rabeca. Entrou em 2005 no Grupo de Pesquisa Cavalo Marinho Boidaqui, onde adentrou ainda mais nas pesquisas de manifestações populares, principalmente no Cavalo Marinho (folguedo pernambucano que mistura teatro, dança e cordel, onde a rabeca é o único instrumento melódico) e teve contato com mestres e brincantes das culturas populares pernambucanas como: Mestre Salu, Mestre Luiz Paixão, Mestre Aguinaldo, Mestre Biu Roque, Antônio Nóbrega, entre outros. Hoje introduz a rabeca em ambientes de sua realidade como sambas, forrós, blocos de carnaval, choro, entre outros. Em novembro de 2013 Daniel se junta a Julio Brechó (Percussão e voz), Marcelo Bruno (Violão e voz) e Gabriel Gabriel (Percussão e voz) e formam o Grupo Forró de Rabeca. O Grupo apresenta um repertório tradicional com músicas de Luiz Gonzaga, Dominguinhos, Jackson do Pandeiro, Genival Lacerda entre outros. Inova ao misturar temas de músicas clássicas, trilha de cinema, ritmos árabes e africanos. Tudo isso é apresentado de uma maneira irreverente fazendo com que o público se sinta à vontade e com desejo de participar dançando ou cantando. O ambiente torna-se uma grande festa com um espirito de muita amizade e descontração.