Onde vão seus pés?

Onde vão seus pés? Onde vão seus pés? Por quais caminhos, esquinas, travessias? Cada lugar é um pouquinho de poesia, de beleza, de histórias e estórias.

o dia se desdobra em dois, três, sete, inúmeros dias dentro de um só. o limiar as vezes é difícil de reconhecer, identif...
04/08/2015

o dia se desdobra em dois, três, sete, inúmeros dias dentro de um só. o limiar as vezes é difícil de reconhecer, identificar. mas pulsa nas possibilidades que nos entrecortam. coisas, situações interditas.
os dias nos atravessam. no sim, no não, no caos, na serenidade. na insegurança daquilo que se aproxima, na introspecção daquilo que nos (se) afasta.
os dias, tantos.
cada dia novo. cada instante, vários.
na espiralada brusca do tempo.

O amor me entranha. Percorre veias, vísceras. Encanta o olhar, engraça o sorriso e destorce o destino. Porque se o desti...
12/05/2015

O amor me entranha. Percorre veias, vísceras. Encanta o olhar, engraça o sorriso e destorce o destino. Porque se o destino é de um só, o amor realiza suas tramas e faz do traçado certeiro um emaranhado de bifurcações.

O amor me corrompe. O tédio. O caos. O drama. Transforma o dia. Rasga a noite com suas garras. E, vez ou outra, conjuga os dois num só ser.

O amor mergulha nos meus abismos, tinge meus obscuros. E traz à superfície reflexos de escamas. Tudo que toca, reluz. Tudo que olha, seduz.

E se não nos salva, abranda. Ultrapassa limites. Cria raízes. Gera vida. E engendra a força para lidar, para lutar - seja com os dragões do dia-a-dia ou com os moinhos de vento.

Maio é um mês que, particularmente, me encanta. Parece que o céu se aproxima. E que suas matizes de cores buscam reaviva...
11/05/2015

Maio é um mês que, particularmente, me encanta. Parece que o céu se aproxima. E que suas matizes de cores buscam reavivar em mim um tempo muito antigo. Meu livro de poesias (não é porque ele não está publicado que ele deixa de ser um livro, oras) se chama 'Maio'. 'Stairway to Heaven', do Led Zeppelin, e 'Vento de Maio', do Clube da Esquina, foram trilhas sonoras da minha vida em diferentes fases. Adélia Prado, com seus oráculos e a estação. Para além dessas referências sensoriais, musicais e literária, neste mês nasceu a minha mãe. Hoje li que às mães cabe criar raízes e dar asas aos filhos. Criar para o mundo, para a vida e para as suas brincadeiras nem sempre fáceis. Uma missão difícil para quem quer sempre o ninho cheio e protegido. Feliz dia das mães para a minha mami que desempenha cada movimento com amor, carinho e zelo pelos seus. Que me ensina a cada momento que as melhores coisas da vida vem de graça: o sorriso, o abraço quentinho, a felicidade ao ver o outro feliz. Obrigada por me criar raízes naquilo que tem importância e me apoiar nas minhas caminhadas - e caminhar comigo! Feliz dia das mães para a minha (que é a mais extraordinária delas hihi) e à todas as mamis.

Na realidade, fiz do dia a minha poesia. E se ela não nos salva dos outros, dos descaminhos da vida, que nos salve da ge...
27/04/2015

Na realidade, fiz do dia a minha poesia.
E se ela não nos salva dos outros, dos descaminhos da vida, que nos salve da gente (que é muito mais perigosa que atravessar trilhos de trem).
De tudo que li, me transformei de pouquinhos. Descristalizei partes. Só enxerguei a essência de atravessado. Como as frestas do sol pelas árvores. E se as vezes me engano e me acerto é que o alquimista dos destinos (o tempo!) me prega peças pelas estradas. Só não paro em encruzilhadas para não negociar com a sorte e me desalmar (nos filmes, sempre dava errado). E se é crendice pagã, sou caipira de interior. Que dá valor a terra, que dá adjetivos ao cheiro do mato, e que, de bobo vendo o céu, cria utopias de marujo. Porque quem é do continente, só suspira os mistérios da água. E quando a minha mãe vem trovoar no meu caminho, meu rosto avermelha com as suas palavras. Ah, Oyá!
No meu altar de preces, há elefantes indianos, há uma pomba cristiana, que me benfazeja e alumia. Há um gordinho sorridente chamando a fartura. Há uma fita azul (mais clara que os meus gorjeios) de uma terra distante que nunca fui. Mas se existe, me afeta. E com o coração me apego.
E creio.
E crio.

(gratidão aos "Ensaios Fotográficos" de Manoel de Barros, que me pulsaram os olhos nesse domingo)

*
Rio de Janeiro - no bairro mais charmoso de todos! Segundo um colega, mineiro quando vai pro Rio ou vai morar na orla (já que o mar de Minas é só o céu) ou sobe o morro para morar em Santa Teresa e se sentir em casa. Eu escolhi Santê.

ler um livro também é uma forma de se estar em mundos e caminhar por eles. esse marca-página é um dos meus preferidos! g...
20/04/2015

ler um livro também é uma forma de se estar em mundos e caminhar por eles. esse marca-página é um dos meus preferidos! ganhei de uma amiga depois de umas andanças que ela fez por esse mundão. como não se apaixonar por azulejos portugueses do século XVIII?

Encontrou em uma sacola plástica vários envelopes e alguns papéis avulsos. Ao contrário do que havia pensado em um prime...
19/04/2015

Encontrou em uma sacola plástica vários envelopes e alguns papéis avulsos. Ao contrário do que havia pensado em um primeiro instante, naquela sacola plástica não estavam contas de luz, recibos de aluguel ou notas fiscais de algum produto, mas cartas que seu pai havia recebido durante a juventude. A princípio ficou receosa se deveria adentrar naquele universo íntimo que considerava a troca de palavras. Ou melhor, invadir aquele universo. As palavras trocadas na narrativa das cartas são tessituras de um fio tão visceral, que qualquer intromissão poderia ser considerada uma violação da alma. “A tua alma é o mundo inteiro” foi o que encontrou escrito em uma das cartas, esmaecida pelo tempo e pela vida. O verso ecoou em sua cabeça por anos e foi a engrenagem fundamental na movimentação do seu corpo pelos hemisférios e atrais. Viajou sete vezes pelo mundo e, em cada uma das vezes, se emocionou com as paisagens novas e antigas. Conheceu as diversas combinações de cor que somente o céu de maio poderia proporcionar. Sentiu a textura de diversas formas de vida, como o aveludado das folhas verdes, a aspereza do tronco de uma árvore, a maciez da crina de um cavalo. Sentiu escapar pelos seus dedos as águas de rios e cachoeiras. E guardou entre eles o salgado da água do mar. Cada uma de suas voltas se constituíam como uma tentativa de montar, como em um quebra cabeça, as peças soltas de sua alma. De fixar em seu corpo aquilo que é essencialmente libertário. A sensação de incompletude, de certa forma, a atormentava. E por não conseguir identificar o âmago de seu problema, resolveu buscar no mundo seus pedaços dispersos. Ao regressar à sua casa pela sétima vez, descobriu que não precisava viajar o mundo para encontrar a alma e a paz que julgava lhe faltar. Mas também descobriu que só poderia chegar a essa conclusão depois de conhecê-lo. Porque viajar é sempre para dentro.

*

Argentina, novembro de 2014, em um dia de muita chuva. Era Buenos Aires desejando "até breve" a uma brasileira que, por força deste destino,preferia uma chacarera ao blues. O pezin de boneca é da Naná. Aproveitei a chuvinha para "estrear" a bota comprada na Feria de San Telmo

Para inspirar!Um casal criou o projeto chamado Feet-First. Na página do projeto eles registram seus pezinhos pelo mundo
15/04/2015

Para inspirar!

Um casal criou o projeto chamado Feet-First. Na página do projeto eles registram seus pezinhos pelo mundo

Feet First While sitting on Brighton beach (UK) back in 2005 with my new girlfriend Verity I thought the view of our feet pointing out to sea would make a nice photo. Ever since then we’ve continued to document our travels in this way, resulting in a collection of over 100 photos. In 2011 the series…

Sempre fui apaixonada por pés. Pelo chão. Pelo caminho. Com meus pais, aprendi a admirar as esquinas e suas travessias. ...
13/04/2015

Sempre fui apaixonada por pés. Pelo chão. Pelo caminho. Com meus pais, aprendi a admirar as esquinas e suas travessias. Musicais, confesso. Mas o simbolismo presente nessas duas palavras, que evocam tantas coisa dentro de mim, se expandiram, alargaram pelas estradas. Atravessaram fronteiras imaginadas e imaginárias. Se são os pés que nos sustentam e nos levam adiante, que o caminho seja sempre lindo, doce e com histórias pra contar. E por aí, onde vão seus pés?

Essa primeira foto, como boa mineira que sou, foi tirada em terras montanhosas. Na cidade de Ouro Preto, no final de março desse ano (2015). Aos 18 anos, depois de crescer no mato, saí do casulo seguro que era a casa de meus pais para desbravar o mundo. Mesmo não mudando de Estado, foi assim que me senti na época. Fui para Ouro Preto. Lá experimentei uma sensação (praticamente embrionária) de liberdade. Um belo dia, ou melhor, uma bela noite, pensei: se quiser, não preciso voltar pra casa e ninguém vai saber. Pensamento ousado para quem havia discutido algumas vezes sobre quão injusto eram os horários de voltar para casa ou a "proibição" de frequentar determinados locais. Morei em Ouro Preto por três meses, para fazer História. Sim, graduação em História. Depois, fui para Mariana, cidade ao lado, para construir a minha. E por lá vivi, sorri, chorei, (re)conheci amigos incríveis (mas essa já é outra história).

O fato é que mesmo Mariana tendo se tornado meu segundo lar, Ouro Preto exerce sobre mim um fascínio. Toda vez que chego ou passo de ônibus por lá, tenho sensações inexplicáveis, e meus olhos se enchem com a beleza daqueles morros, daquelas construções, daquele verde e daquelas pedras.

Estava passeando pela Rua Direita e, ao entrar em uma loja, me deparei com esse zazu maravilhoso. Aliás, tenho problemas. Qualquer piso, azulejo, calçamento, chamo de zazu. Se não me engano, a loja se chamava "Amazônia Artesanato". Desde o ano passado venho fotografando com mais frequência essas belezuras. As fotos são tiradas com meu celular, por isso, não se admirem muito com a qualidade hehe

Bom, para quem quer conhecer a cidade, deixo aqui algumas (duas míseras) dicas de turistão:

* Praça Tiradentes:

é nela que está localizado o Museu da Inconfidência. O edifício foi construído entre os anos de 1785 e 1855. Funcionou no local a "Casa de Câmara e Cadeia". No início do século XX foi transformada em penitenciária estadual e, com a construção da penitenciária de Neves nas cercanias de Beagá, o edifício foi desocupado e o museu ali instalado.

http://www.museudainconfidencia.gov.br/interno.php

* Pico do Itacolomi:

esse pico é, praticamente, um farol natural, um sinalizador. Ele se impõe na paisagem dos inconfidentes. Desde que conheci Ouro Preto, acho que o pico do Itacolomi parece Tiradentes deitado (risos). Além de bonito, está localizado em um Parque Estadual chamado, nada mais, nada menos, que Parque Estadual do Itacolomi. Para os aventureiros de plantão, é uma boa opção de passeio ao ar livre.

http://www.ief.mg.gov.br/component/content/193?task=view

Endereço

Rua Luiz De Camões, 30 - Centroro
Rio De Janeiro, RJ
20051-020

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