11/02/2016
UM BOM HÁBITO
POR DANIEL FREITAS
Se você está lendo esta coluna é porque felizmente sobreviveu aos shoppings lotados do natal, não se afogou nas sete ondas de champanhe do ano novo e muito menos se perdeu em meio ao fervo incansável do carnaval. Bem vindo! Agora de fato, feliz ano novo! Sim porque a coisa ficou séria, bora se jogar nesse ano que ninguém sabe ao certo o que nos espera. Nem Mãe Dináh quis esperar viva para ter de se comprometer com uma previsão de como será o 2016 da gente.
Já que não sou de dormir no ponto, embarquei numa viagem só de ida em um novo projeto. Múltiplas tarefas, várias frentes para se comprometer e suar a camisa. Bem que eu queria sair da minha casa com um único compromisso: atuar! Mas o mercado tem mostrado que precisamos fazer bem mais do que muitas vezes gostaríamos, para que nosso desejo de estar em cena seja realizado. Precisamos ser escritores, figurinistas, cenógrafos, produtores, vendedores, panfleteiros, pedintes e em certos casos, santos milagreiros.
Uns descrentes avisam que será um ano difícil, sobretudo para a arte. Afinal, com tantas prioridades que temos para nosso suado dinheiro, qual seria a necessidade de gastar com ingressos do teatro? O grande Arthur Miller nos responde esta questão quando diz que: “O teatro não pode desaparecer porque é a única arte em que a humanidade enfrenta a si mesma”.
E nosso querido Rio de Janeiro possui os mais diversos locais para que esta manifestação artística seja apreciada, mesmo em momentos de cuidados extremos com o gasto dos ilustres habitantes de nossa carteira. Temos espaços como: o Teatro Raul Cortez, CBB (Centro Cultural do Banco do Brasil), Oi Futuro Flamengo e Oi Futuro Ipanema, Caixa cultural, Lonas Culturais e as importantíssimas unidades do SESC presentes em praticamente todas as regiões do Estado. Fora os preciosos e suados espetáculos autorais de diversas e competentes CIAS de teatro que existem por aqui.
Na maioria destes espaços, os ingressos quando não são de graça, são com valores populares, facilitando com isso, a apreciação de excelentes obras. Então levantemo-nos de nossas cadeiras e enfrentemos a nós mesmos, borá fazer do teatro um hábito, pois "o teatro é o último reduto onde o ser humano pode se reconhecer humano." (Fátima Ortiz).
Foto de Roberto Carelli / Vitavision