18/08/2026
Artista Maga: Ana Mendieta (1948 - 1985)�Referências: Santería, ancestralidade e rituais pré-colombianos.�Perguntada a respeito do sentido de sua obra respondeu: “Minha arte é uma maneira de restabelecer os laços que me unem ao universo. É um retorno à fonte materna.”�O que a frase quer dizer?�Ela estaria falando ap***s de natureza? Não.�Ela cresceu marcada pelo exílio. Aos 12 anos deixou Cuba com a irmã e foi enviada aos EUA.�Mendieta usava o próprio corpo para reconstruir uma ligação com a terra.�Aqui podemos ver relação entre suas obras e a Santería, religião de matriz africana que mistura a fé iorubá com o catolicismo e rituais indígenas.�Na série Silueta, seu corpo aparece como marca na terra, utilizando lama, areia, folhas, galhos, sangue e outros materiais orgânicos.�Se nos guiarmos pela leitura ritual de suas silhuetas, podemos ver uma alegoria do retorno à origem: o corpo feminino entra na terra, desaparece e deixa ap***s um vestígio. É presença e ausência, morte e renascimento, exílio e retorno.�Hoje a leitura predominante de Mendieta vem por meio da arte feminista, da performance e da Land Art.�Isso não está errado. Mas é insuficiente.�Isso apaga a Mendieta, mulher exilada, performer, escultora, artista do corpo e da terra, interessada em ancestralidade, espiritualidade e transformação.
Em Blood+Feathers, a relação com a Santería é direta. Ao derramar sangue animal real sobre a sua pele nua antes de rolar num leito de p***s brancas, Mendieta emula de forma direta o desfecho do ebó, o ritual de purificação e oferenda afro-cubano onde o sangue representa a transmissão do ashé (força vital) e as aves atuam como mensageiras entre o mundo terreno e o espiritual. Ao se deitar na lama à beira-rio, ela performa a fusão sagrada com as divindades da natureza (orichas), transformando o trauma pessoal do exílio e da fragmentação de identidade numa performance de renascimento e comunhão espiritual profunda.
Ela usava a arte como uma forma de reconexão e cura.
Agora, aproveita e manda este post para alguém que já sabia que Ana Mendieta era maga 😉