02/12/2017
Série Repressão nas Universidades:
Por determinação da Lei nº 9.140/1995, em 4/12/1995, o estudante Honestino Monteiro Guimarães foi reconhecido pelo Estado brasileiro como desaparecido político. Seu nome consta no Relatório da Comissão Nacional da Verdade publicado em 10 de dezembro de 2014, como um dos 243 desaparecidos, vítimas da repressão política.
Nascido em Itaberaí (GO, 1947), Honestino Monteiro Guimarães mudou-se para Brasília em 1960. Começou a militar no movimento estudantil e filiou-se à Ação Popular (AP). Em 1965 ingressou na Universidade de Brasília, tornando-se o presidente do Diretório Acadêmico de Geologia. No ano seguinte foi preso pela primeira vez.
O Ofício nº 40 – IPM do I Exército, encaminhado ao reitor da Universidade de Brasília em 15 de agosto de 1968, solicitou informações sobre Honestino e outros estudantes da instituição, além de decretar, também, a “prisão preventiva, como incursos na Lei de Segurança Nacional, dos[...] estudantes dessa universidade”. No mesmo ofício, assinado pelo coronel Murilo de Souza, o oficial requisitou que “seja notificado sempre que ocorra a presença dentro do campus universitário de qualquer dos elementos citados [...]”.A reitoria informou o I Exército sobre os estudantes, que acabaram detidos depois de invasão do campus. Sob alegação de cumprir mandado de prisão de sete estudantes, a universidade foi cercada pela Polícia do Exército, Polícia Militar, Polícia Civil e pelo DOPS, que efetuaram a prisão dos alunos. Apesar de estar a poucos meses de concluir o curso de geologia, Honestino foi expulso da UnB e, depois de solto, em novembro, seguiu para a clandestinidade com a esposa, Isaura Botelho. Entre 1969 e 1971, Honestino viveu na capital paulista,desempenhando, ao mesmo tempo, atividades de dirigente da UNE e militante da AP. Em 1970, nasce a única filha do casal, Juliana. No final de 1971, foi eleito presidente da UNE em um congresso clandestino no Rio de Janeiro, local que Honestino manteve suas atividades políticas. Aos 26 anos de idade, foi preso por agentes do Centro de Informações da Marinha no dia 10 de outubro de 1973 e, desde então, permanece desaparecido.
Foi homenageado em 26 de agosto de 1997 ao dar nome ao Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília e ao receber o título de Mérito Universitário. Em 15 de dezembro de 2006, foi inaugurado em Brasília o Museu Nacional Honestino Guimarães, projetado por Oscar Niemeyer. Há ruas nomeadas em sua homenagem no bairro Recreio dos Bandeirantes, no Rio de Janeiro e no bairro Macaxeira, em Recife. Em 2015, a Ponte Costa e Silva, em Brasília, teve seu nome alterado para Ponte Honestino Guimarães.
Fotografia: ASI/UNB: BR_DFANBSB_AA1_0_ROS_0019, p. 2.
Para consultar o acervo do Arquivo Nacional, acesse: http://arquivonacional.gov.br/consulta-ao-acervo.html