27/06/2025
O gato do asilo só amava um homem — e só quando o idoso se foi todos entenderam o porquê…
Em um asilo nos arredores de Curitiba, vivia um gato de rua chamado Simão. Ninguém o levou até lá: ele simplesmente apareceu, molhado de chuva, magro e com um olhar cansado. Os funcionários pensaram em levá-lo para um abrigo, mas os idosos logo se apegaram a ele. Davam pedacinhos de presunto, faziam carinho, ofereciam leite morno. Assim, ele ficou.
Simão não era um gato comum. Não se aproximava de qualquer um, não pulava no colo de todos. Ele observava em silêncio. E escolheu apenas um morador: o seu Mateus.
Mateus era um homem calado, solitário. Não recebia visitas —nem de filhos, nem de netos, se é que os tinha. Passava os dias olhando pela janela, às vezes sussurrando palavras que ninguém entendia.
E todos os dias, Simão ia até ele. Não por comida. Apenas se deitava aos seus pés, ou subia na cama e f**ava ao seu lado, olhando para o mesmo ponto distante que tanto prendia o olhar de Mateus.
As cuidadoras comentavam entre si:
— Esse gato é diferente… não se apega a mais ninguém.
— Vai ver ele sente algo que a gente não sente.
Mateus acariciava Simão devagar, como se cada gesto dissesse mais que mil palavras. Às vezes sorria, como quem lembrava de algo doce e distante. Talvez algo que só ele e Simão compreendiam.
Assim se passaram alguns anos. Até que, numa manhã, Mateus não acordou. Partiu em silêncio, dormindo. Naquela noite, Simão não saiu de perto dele. Não comeu, não bebeu. Apenas ficou ali, deitado, ronronando baixinho, como quem diz adeus.
Depois do velório, Simão desapareceu. Procuraram por todo o prédio, chamaram por ele, balançaram o pote de ração… mas nada. Dois dias depois, uma cuidadora o encontrou no quarto de Mateus. Ele estava sentado no parapeito da janela, olhando para fora. Para o mesmo lugar de sempre.
E foi aí que ela viu uma foto antiga sobre a mesa. Mateus estava jovem, sorridente, abraçando um menino — de uns cinco ou seis anos, com cabelos escuros e olhos profundos. No verso da foto, escrito com letra trêmula, lia-se:
“Vou te esperar sempre. Seu Simão.”
A cuidadora ficou paralisada.
Cabelos escuros. O mesmo olhar. E o nome…
Não era coincidência. Aquele menino era seu neto. Um menino que, talvez, Mateus tenha perdido há muitos anos. Talvez por uma briga. Talvez pela distância. Ou quem sabe pela dor da vida.
Mais tarde, alguém comentou:
— Vai ver era ele. Vai ver a alma daquele menino voltou na forma de um gato. Para perdoar. Para f**ar junto. Para não deixá-lo sozinho no fim.
Desde então, Simão nunca mais entrou em outros quartos. Apenas aparecia na janela de Mateus.
E todos que viviam e trabalhavam naquele lugar nunca mais duvidaram: o amor verdadeiro sempre volta. Às vezes, da forma mais improvável. E f**a. Até o último suspiro.
Porque o amor real não precisa de palavras. Ele só precisa estar. Em silêncio. Com lealdade. Com alma.