30/06/2025
A nossa trupe bacante tropicalista-antropofágica abre a boca, a língua, o peito, a alma, para anunciar a gira poética, anárquica, com as vísceras para fora e com os sentimentos a flor da rua, que traz para o meio da cena aquele que é o ‘Exú das artes cênicas’: José Celso Martinez Correia. O divino mestre e seu legado – com o Teatro Oficina e por consequência todo o teatro brasileiro – é a quem lançamos flores com lirismo, amores e festa.
A Oficina Estilhaça ocupa a casa do ‘Tá na rua’, pedindo licença, revereciando a sua história e contribuição para construir a história da nossa teatralidade, junto de Amir Haddad. E é dentro deste solo cênico-sagrado-profano que a gira chama o Zé para expulsar o ‘coisa ruim das pessoas.
É de uma pesquisa dos atores da Zona Norte do Rio de Janeiro, dos subúrbios de Irajá, terra indígena onde “o mel brota”, que emerge as ferroadas de Zé Celso. A palavra, a visualidade, o corpo exposto como ferramenta política e de liberdade, são os elementos vivos que permeam a proposta de experimentação cênica que incorpora os saberes da rua, dos mais velhos, da espiritualidade ancestral para encruzilhar sobrevivência, tradição, invenção e renovação.
Um espetáculo que costura textos históricos como “O rei da vela”, “Roda viva”, “Boca de ouro, “Esperando Godot”, “para dar um fim no juízo de deus”... Além de outras referências textuais e visuais de “Cacilda”, “Bacantes”, “Vento forte para papagaio subir” entre outros clássicos imortais do Teatro Oficina. Com essa farra carnavalesca queremos voar sobre a política, a espiritualidade e o delírio, acreditando na força de suas conexões com a terra, com o fogo, com o ar e as águas que mantem vivo o poder do encantamento.
Acreditando nessa energia vitalizante que desemboca na rua como lugar de encontro – e não de passagem – subimos este ritual cheio dos vívidos afetos e sonhos de uma trupe que quer – como nosso homenageado – reafirmar a cena como altar-terreiro que abre caminhos para que reafirmemos quem somos, para onde vamos e o que queremos fazer. Acreditando na força cultural do subúrbio, do popular, do Rio de Janeiro enquanto cenário de extraordinárias experiências da Guanabara, das encruzilhadas, dos malandros, Marias, que reafirma que o modo de conhecer a cidade é pelos seus botequins – a biblioteca dos saberes não oficiais, onde tudo o que vai, pode um dia voltar.
Evoé Zé! Pode chegar!
https://www.sympla.com.br/espetculo-encruzilhadas-ou-s-o-z-expulsa-o-coisa-ruim-das-pessoas__3016926