09/08/2026
PAIS DOS POVOS
Nem todo pai que a humanidade celebrou usou coroa, trono ou espada. Em quatro tradições diferentes da China ao Iorubá, da Amazônia à África do Sul, o que se celebra não é poder, é a permanência. Alguém que criou, ensinou, protegeu e ficou.
Sendo no sorriso e na promessa de um futuro mais gentil, ou derrubando o próprio céu pra erguer chão firme sob os pés do seu povo, o que moldou os primeiros corpos com as próprias mãos e nunca precisou de força pra ser respeitado. E aqueles que se foram, mas que a morte não encerra o cuidado, só muda o endereço de onde ele passa a proteger.
Pais em diversas culturas. Nenhum deles se afastou, ficaram perto de quem deveriam proteger.
OXALÁ
No princípio, era só água e lama. Foi Oxalá quem desceu por uma corrente de ferro trazendo um s**o de terra e um galo, espalhando o solo aos poucos até formar o mundo firme onde os humanos pudessem viver e foi ele quem, com as próprias mãos, moldou os primeiros corpos em barro.
Diferente de outros orixás guerreiros, Oxalá é o mais velho, o mais calmo, a paz e a criação recém-nascida. Não se impõe pela força, seu peso vem da idade e do respeito que se conquista décadas depois de qualquer batalha.
Ele não lutou para ser o primeiro pai, foi sustentando com as próprias mãos o barro de tudo que viria depois.
OMAMA
Segundo a cosmologia Yanomami, existia antes uma terra frágil, insuficiente. Omama derrubou o céu antigo sobre ela, e a partir desse céu caído ergueu a floresta-terra, HUTUKARA, sólida onde vivemos hoje. rios, montanhas, árvores, os primeiros humanos, moldando o próprio chão sob os pés do seu povo.
Ele também teve que proteger essa criação. Seu irmão Yoasi, oposto e traiçoeiro, tentou corromper o que Omama havia feito e é dessa tensão entre os dois que a tradição yanomami explica a existência da morte e da escuridão no mundo.
Proteger não foi um gesto único, é, um esforço constante.
Um pai que não se retirou depois de criar. Ele ficou no céu que caiu, na mata que nasceu dele, no cuidado diário de manter de pé o que fez.
O BUDA DO FUTURO
Antes de virar o Buda risonho, ele foi Budai, um monge da China do século X, sem templo fixo, sem discípulos formais,