24/01/2020
Japeri
Antonio de Camargo Ferreira
No céu azul um triângulo colorido
sustentado pelo vento que vem das
serras leva o homem – menino, além
do pensamento, flutuando no
espaço do tempo e da memória.
“Planta que flutua sobre a água”,
semeada pela paralelas de aço da
Rede ferroviária, (estória, história...).
Bandeirantes passaram por aqui,
levaram o ouro, trouxeram escravos,
caçaram índios!
Bandeirantes f**aram por aqui,
acabou o ouro, venderam as terras,
se transformaram em escravos,
mesclados em índios, extintos, ficou
o nome: “Planta que flutua sobre a água”...
Nos trens que chegam ao entardecer,
passageiros buscam o sossego do fim da linha.
O tempo escorre pelo trilhos, a vida
f**a presa nos vagões, crianças barrigudas
ancilostomósicas olham com as pupilas
amareladas o trem que passa.
O orgulho da raça está rente aos
dormentes da Estrada de Ferro...
“Planta que flutua sobre a água”.
As raízes se aprofundam, (essa gente é
cansada.) parabólicas buscam no éter
respostas para o fim de semana.
No silêncio verde de Santa Inês
uma força toma forma rompendo
limites, despertando mentes, cavalgando
sonhos e as estações se integram,
“Planta que flutua sobre a água”.
Seus povo segue em frente nos trens
e ônibus lotados, gerando riquezas,
anda cansado, enquanto dormem,
a cidade cresce.
Algumas vezes, triângulos coloridos
deslizam da rampa do Pico Coragem
enfeitando o céu da antiga
Estação de Nova Belém.
Levados pelo vento que vem da serra
tentam alcançar o homem – menino
que se eleva no azul carregando no
peito “Planta que flutua sobre a água”,
para o infinito.
(Em uma taba ancestral o velho pajé
olha o céu e murmura: Yaperi! Yaperi!)
Seus olhos seguem o sonho! Sopra o vento!