Salve Maria
“Deus Pai ajuntou todas as águas e denominou-as mar;
reuniu todas as suas graças e chamou-as de Maria.”
Santo Antônio de Pádua
Por Bernardo Magina
Marco Velasquez apresenta em Salve Maria uma releitura da Última Ceia, pintada em 1498, por Leonardo Da Vinci, em que ao invés dos tradicionais doze apóstolos, á mesa, repartindo o pão com Jesus, há doze representações de Nossa Senhora mã
e de Jesus, padroeiras de países das Américas. O artista reconstrói um momento bíblico dos mais notórios dentro da cultura cristã para enfatizar a ideia de união dos povos. Com todo respeito aos embaixadores da palavra de Jesus, Marco coloca em posição de destaque, 12 Marias, representantes do amor incondicional
A invocação de cada Nossa Senhora tem características dos locais onde seus milagres e aparições ocorreram. As benesses se espalharam tão rapidamente que passaram a ser reverenciadas não só nas regiões onde eram cultuadas, mas ganharam repercussão nacional, sendo responsáveis então por abençoar um povo. Marco pinta treze quadros que juntos formam o painel da ceia, dando ênfase ao gesto e a materialidade pictórica. A imagem sacra historicamente foi pintada dentro de cânones de representação, principalmente após os adventos técnicos e matemáticos característicos da Renascença. O artista descarta o equilíbrio do traço acadêmico, utilizando técnicas derivadas das experimentações modernistas mais aproximadas do real do que do ideal. O dripping, técnica imortalizada por Po***ck se mistura a outras maneiras de pintar e a um cromatismo exuberante, emanando uma forte energia comum aos povos latinos. No âmbito imagético, sobressaem os olhares perseverantes de quem pode romper barreiras e estimular a resiliência de seus devotos. A presença de crianças nesta Ceia, reitera a necessidade da paz entre os povos e de que os bons valores venham antes da ganância econômica e política que muito ameaça a tranquilidade nas Americas.