15/07/2021
Então, como eu estava contando, a história de Ventaneira começa em 2009. Na ampla sala E, que f**a no topo da escadaria da escola Angel Vianna. Eu era aluna do curso de “recuperação motora e terapia através da dança”. A inspiração foi o livro As Cidades Invisíveis, de Italo Calvino. Nele o autor narra uma história que passa durante o século XIII, o viajante Marco Polo conta ao seu soberano, Kublai Khan, as cidades que conheceu durante suas viagens. São cidades imaginárias, todas tem nome de mulher e são caracterizadas de modo metafórico, subjetivo e existencial. Muitas vezes, não se trata da cidade em si, mas do comportamento dos habitantes, o que ajuda a definir a cidade; o contrário também é verdadeiro: a cidade, com suas características peculiares, ajuda a definir as pessoas que habitam nela. A proposta foi do professor Paulo Trajano em sua aula de Técnicas de Improvisação em Dança. As palavras de Ítalo Calvino que descrevem as cidades fantásticas, lidas em voz alta, como motivação e espaço de reverberação do movimento em meu corpo. Criar a partir das sensações, da escuta, da memória, um repertório de movimentos que desencadeou o trabalho chamado Ventaneira - a cidade das flautas. Ventaneira nasceu como dança, mas teve como embrião, a palavra. Então, a palavra deu corpo e forma a uma história que de um breve solo, cresceu, tornando-se um conto e virou livro, audiolivro, espetáculo de teatro e audiovisual. cena do filme onde se ve o meu rosto sorrindo através de um recorte no papel branco do cenário. O ator interprete faz sinais de libras no canto inferior esquerdo da imagem.