22/10/2025
Aconteceu no Fil
TendaPoema: Arte nas paredes.
Fellipe dos Anjos e Luíza Silva - Estudantes de Jornalismo e Observadores e FIL
Poucos são os exemplos capazes de proporcionar um ambiente acolhedor e que valorizem o ser humano como parte daquilo que se produz. Ao passarmos pelas cortinas, f**amos intrigados ao olharmos para as paredes e nos depararmos com algo tão íntimo e que está exposto a olhos alheios. Queríamos entender o porquê daqueles versos e bordados terem tanta vida, indo das palavras às paredes e aos tecidos.
Ao aproveitarmos a chance de conversar com a idealizadora do Tenda, Lu Lessa, notamos como a relação entre o texto e o têxtil é poderosa e é sempre capaz de passar alguma mensagem, demonstrando que a comunicação se faz presente em muitos momentos e esferas.
“Quando as pessoas fazem trabalhos manuais, isso propicia um bom ambiente de troca. As pessoas conversam mais quando estão trabalhando com tecido. O tecido tem essa relação com o texto, o radical é o mesmo. Então, a palavra, a escuta, a conversa, a narrativa e as histórias estão muito conectadas com o tecido. Aliás, as roupas que a gente veste, as cores que a gente escolhe dizem coisas.”
Ao longo da conversa, Lu Lessa usa o adjetivo “desarmada” para complementar o sentido de escuta, fazendo-nos sentir que, embora às vezes esbarremos na sensação de solidão e que as coisas e pessoas estejam distantes de nós e da nossa realidade, alguém, em algum lugar, pode contar algo valioso para que reflitamos sobre nós mesmos.
“Eu ia a muitas palestras e aulas, vendo as pessoas falando, com um paninho bordado. Comecei a perceber que, quando a gente está bordando, nossa escuta é mais desarmada. Você não f**a buscando argumentos internos para rebater o outro. Isso é muito comum na escuta, a gente escutar o outro ‘armado’.”
Nesse momento, ao olhar para dentro mais uma vez, veio o choque de realidade. Percebemos que, o tempo todo, damos prioridade à imposição das nossas convicções. Lu Lessa mostrou que isso poderia ser diferente, que no Tenda poderíamos mudar a forma de abordar quaisquer que sejam as questões.
Assim, passamos a ver o Tenda como uma virada de chave para “tirar a mão da arma”. Quando perguntada se a dinâmica da atividade favorece o resultado, ela diz:
“Não acho que seja por ser dinâmico, mas porque você volta sua atenção para o bordado e tira a mão da arma, da argumentação. Não estou falando mal da argumentação, mas estou querendo pontuar a diferença de uma escuta desarmada.”
O Tenda era um espaço convidativo que permitia que as histórias vivessem, que olhássemos para o físico e víssemos o sentimento. A vida segue, os ponteiros vão de um lado a outro. Mas f**a aqui a dica de quem esteve lá: se você quer deixar vivas as suas histórias, basta pegar uma cadeira e sentar. Este é o Tenda.