Matsuris na Terra do Sol Nascente
Alguns festivais são realizadas ao longo de vários dias, solenes ou não, há matsuris que envolvem milhares de pessoas e outros que envolvem apenas uma pequenina comunidade; acompanham celebrações urbanas e rurais. Muitos matsuris relacionam-se com o cultivo do arroz porque este constitui a fundação da cultura japonesa. Outros ainda celebram o trabalho, a história
ou cultura nacional. Muitos festivais também apresentam carros alegóricos (dashi), que são puxados pela cidade, acompanhados por pessoas sentadas que os acompanham, com muita música de tambores e flautas. Cada festival tem suas próprias características, enquanto alguns festivais são calmos e meditativos, muitos são enérgicos e barulhentos. São uma exibição espetacular de cor, símbolos, trajes e ritos. E são, sobretudo, uma forma de veneração, um encontro feliz do povo japonês com o divino. Um elemento importante de festivais japoneses são procissões, em que o kami (Shinto, divindade) do santuário local é levado através da cidade em Mikoshis (altar dos deuses). É a única época do ano em que o kami deixa o santuário. Matsuris: Origens
As suas raízes perde-se na noite dos tempos, originalmente, os matsuris eram uma prática xintoísta, mas acabaram por incorporar ritos ligados ao calendário de origem budista e chinesa. Elementos budistas e xintoístas estão vulgarmente presentes em qualquer um deles. O Xintoísmo e o Budismo estabeleceram a base para uma pacífica e duradoura coexistência. O Xintoísmo (shinto, a Via dos Deuses) é visto pelos nipônicos como um modo de vida espiritualmente integrado. O tema central é a veneração pela força da vida, a natureza, e pela deusa Amaterasu Omikami (Deusa do Sol), criadora da natureza e progenitora da linhagem imperial japonesa, é a “Grande Divindade Iluminando o Céu”. Os deuses xintoístas (Kamis), cujo número é imenso, são manifestações presentes em todas as coisas, animadas e inanimadas e prevalecentes em todos os aspectos da vida humana. É, portanto, um fator crucial de identidade nacional. O funcionamento do mundo é visto como sendo fruto da cooperação dos kamis e dos seus crentes, em prol da harmonia social com a qual os deuses se comprazem. Os deuses xintoístas são vistos, muitas vezes, como manifestações locais das divindades budistas, a linha que divide ambas as doutrinas nem sempre é clara, mas muitas diferenças as separam também. O reino do Xintoísmo é o do ciclo da natureza, das estações do ano e da vida quotidiana; o Budismo, esse, é marcadamente filosófico, com preocupações metafísicas relacionadas com a morte e o que jaz para o além dela. O povo serve-se de ambos conforme as ocasiões; por exemplo, preferem os rituais xintoístas para casamentos e os budistas para os funerais. Mas os grandes atos de adoração em relação aos deuses e divindades são os matsuris, através dos quais o povo lhes faz a oferenda das suas orações, dádivas, reverência e alegria. Os matsuris ocupam um lugar de honra na vida dos japoneses e contribuem para a sua forte identidade espiritual. Constituem uma ocasião para conseguirem comunhão com os seus deuses e espíritos ancestrais; para reconhecerem um passado comum que recua até tempos míticos; para celebrarem a natureza e o renovar incessante através das estações, que são excepcionalmente marcadas no seu país; e para, simplesmente, divertirem-se com a família e os vizinhos, reafirmando os laços comuns e providenciando uma pausa no trabalho e na vida regrada do dia-a-dia. O fato de os japoneses conseguirem manter vivas tantas tradições deve-se, em grande parte, a estas celebrações. Fonte:
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