30/08/2025
Paulo Ruch escreveu em 2016 quando apresentamos Enterro dos Ossos de Jô Bilac:
Vê-se um homem suspenso no ar. Dele, ouve-se um aprazível assovio. O astronauta de branco (Hugo Bonèmer) em sua delicada coreografia corporal, em seu balé sideral, revira-se, movimenta-se, br**ca ou desafia a ausência sentida da força da gravidade. O mesmo astronauta canta belamente uma canção em inglês na esperança de se fazer ouvir onde o som não tem direito de existir (concluiu-se, segundo estudos, que no espaço há barulhos, mas os mesmos são extremamente sutis; quanto ao assovio do astronauta de branco, presume-se que seja uma referência à tradução do som das ondas gravitacionais que possuem a mesma frequência daquele). Também suspenso no ar um verdejante arbusto de folhas intocadas que nos faz lembrar de uma Terra utopicamente preservada. O prestigiado dramaturgo Jô Bilac se valeu de uma revelação científica recente importantíssima anunciada em fevereiro deste ano, comemorada com entusiasmo pela comunidade pesquisadora, de um fato já previsto há exatos cem anos pelo físico Albert Einstein em sua Teoria Geral da Relatividade, a existência das ondas gravitacionais (em linguagem simples, são vibrações no espaço-tempo, o material do qual é feito o Universo, possivelmente geradas pela colisão de dois buracos negros, de acordo com os cientistas autores da descoberta), para criar com engenhosidade o seu mais novo texto, “Enterro dos Ossos”, com direção de Camila Gama e Sandro Pamponet.