17/03/2026
Guilherme Arantes virou arroz de festa nas últimas semanas. Ele celebra, e é celebrado, pelos 50 anos de carreira. Surgiu em 1973, numa fase de guinada do pop/rock brasileiro para uma jogada adulta. Integrou a banda Moto Perpetuo, cujo primeiro disco, de 1974, traz nove composições suas.
Mas só despontaria na carreira solo. Seu sucesso inaugural, Meu Mundo e Nada Mais, é de 1975, seu álbum de estreia de 1976. Artista pop acompanhendo-se ao piano era comum lá fora. No Brasil, total novidade, piano era pra música erudita ou MPB de Tom Jobim.
Paulistano com cara de surfista, Guilherme, fez furor entre as menininhas, enquanto foi emendando hit após hit. Pouco se ressalta sua importância para o pop brasileiro, no qual promoveu uma transgressão, parecendo ser convencional. Reinventou o pop nacional, que aqui continuava sendo feito por nomes egressos da jovem guarda: Roberto Carlos, com um viés pro baladão italiano, Erasmo, flertando com o udigrudi, Tim Maia com roupagem funk e soul. Mas, a rigor, saiam dos trilhos mesmo Rita Lee e Guilherme Arantes.
A música de Arantes era acessível, estava sempre em novelas globais (pertencia à Som Livre), ao mesmo tempo, armava harmonias que agradavam a estrelas da MPB. Elis Regina, de quem foi namorado, emplacou nas paradas com Aprendendo a Nadar. Gal, Bethânia e Caetano foram de Guilherme. Amanhã foi um dos sucessos do LP Totalmente Demais, que aproximou Caetano Veloso da geração que o estava conhecendo.
Guilherme e Rita pavimentaram o caminho para a turma do Brock. Mas a ascensão do novo pop brasileiro foi o começo do fim de Guilherme Arantes como o maior hit maker pop do país. Porém sua influência já era sentida em sucessos de nomes como, entre outros, Dalto, Biafra ou Eduardo Dusek.