REGINA MIRANDA & ATORESBAILARINOS, fundada pela coreógrafa, autora e diretora teatral Regina Miranda, iniciou suas atividades em 1980 e, desde então, se apresenta regularmente no Brasil e no exterior com seu - Teatro Coreográfico. A interdisciplinaridade do trabalho da Companhia foi expressa desde seu primeiro espetáculo, Heliogábalo, o Anarquista Coroado (1980), a partir de texto de Antonin Arta
ud, que deu ensejo à reunião de artistas como Luiz Áquila - cenário; Celeida Tostes - objetos de cena; Arnaldo Dias Baptista - música; Carlos Henrique Escobar - texto, transformando-se num espetáculo, descrito pelo poeta Chacal: “... É de noite e não há necessidade de nenhuma palavra. O dia é da palavra como a noite é da dança. Homens e mulheres se encantam, cúmplices do sagrado privilégio de viver. Eles são só esgares, gestos e risos. Precisávamos de um Heliogábalo para decretar o império do prazer.”
Na linha de integração das artes, o ponto culminante foi A Divina Comédia (1991), instalação coreográfica realizada no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, onde se reuniram 32 artistas visuais e 146 artistas de artes cênicas, dirigidos por REGINA MIRANDA e tendo os a Cia. AtoresBailarinos como elos de integração da encenação. Trabalhos menores, mas não menos expressivos incluem: A Desordem (Teatro Municipal do Rio de Janeiro, 1992), S. Thala (Fundição Progresso, 1993), Moosbrugger Dances - Premiada no “VIII Concurso Internacional de Coreografia de Saitama” (Japão,1994), Exílio (1995) (considerada pela crítica Helena Katz como “..a jóia da temporada” e Moderato Cantabile (Bienal de Lyon, França, 1996). O Teatro Coreográfico de Regina Miranda foi apreciado pela crítica francesa como “(...)uma imbricação de tal forma integrada que se constitui num estilo autônomo. As duas peças, apresentadas no Theatre de la Croix Rousse, revelam uma linguagem que atinge uma depuração radical.” (J. Durand/ Le Progres - 1996). Trabalhos mais recentes incluem Recortes (2004, Teatro Sergio Porto) Orfeu (Parque Lage, 2005), Vertigo (2006), Geografias Pessoais (2009, Festival Wonderland, São Francisco e Instituto Oi Futuro, 2010), Klein & Clark (2011, Teatro Carlos Gomes e Royal Opera House, Muscat) e Manuscritos de Leonardo (2013, Espaço SESC). Entre 2005 e 2008 a Cia. desenvolveu pesquisas em Performances interativas e reformulou sua estrutura funcional, enquanto sua Diretora finalizava seu livro “ Corpo-Espaço” (2008 – Editora 7Letras), onde compartilha sua filosofia e metodologia de criação. Durante este período, seus integrantes continuaram a trabalhar em conjunto em projetos artísticos, culturais e educacionais, mas seu maior foco estava na pesquisa do que Regina denomina de “Práticas de Liberdade”. A partir de 2009, a Cia. voltar a atuar fortemente no cenário nacional e internacional. O patrocínio da Prefeitura, conseguido ao final de 2013, reconhece uma história importante para a dança brasileira e permite manter vivo e acessível um repertório importante para a história da dança carioca, através da criação de novos trabalhos e gradual recriação de peças históricas, além de oferecer a infra estrutura básica, necessária para a qualidade que se espera de uma companhia deste porte. No mês de Março de 2014, a Cia. Reabre a sua sede à Rua Alice, 75. O suporte para manutenção da Cia. permite reunir um quadro artístico relevante, que inclui, além de Regina Miranda, profissionais como Marina Salomon, Patrícia Niedermeier, Ana Bevilaqua, Adriana Bonfatti e o premiado iluminador Luis Paulo Neném, todos criadores instigantes da cena carioca e parceiros de Regina ha mais de 20 anos. Fascinada pelos inventários de tesouros e plantas medicinais, pelas enumerações de figuras grotescas e anjos da Divina Comedia, catálogos de livros e listas de objetos de gabinetes de curiosidades e mesmo pela gaveta de cozinha de Leopold Blum, no Ulisses de Joyce, a coreógrafa Regina Miranda começa desenvolver, para 2014, o espetáculo A Vertigem das Listas, baseado no livro homônimo de Umberto Eco, investigando a estética das listas e como estas expressam o espírito de diferentes eras.