Em meio a um histórico de palafitas, surge junto à ascensão de uma comunidade o desejo de dois jovens produtores culturais - Willian Oliveira e Felipe Alves - pelo resgate da cultura de raiz. O desejo é simplesmente reascender a cultura do lazer atrelado ao samba de raiz na área do bairro Maré - espaço formado por 16 favelas e cerca de 130.000 habitantes. O projeto aposta na característica da loca
lidade: uma população animada e engajada, buscando diversão sadia e de qualidade. A partir desses impulsos surge o Maré de Samba. A brincadeira ao criar o nome busca o sentido de pegar uma nova “onda”, de levar-se pela maré ao som dos tantãs, pandeiros, cavacos e violões. E assim é feita uma fusão de músicos renomados e um público de massa, diluídos na periferia e no asfalto, formando um grupo homogêneo, embalado apenas pela tradição do samba. O evento acontece desde Novembro de 2008. As primeiras edições foram realizadas no SESI Bonsucesso, Casa de Festas ZUM e Lona Cultural Hebert Viana e ao longo de suas edições recebeu convidados como Leandro Sapucahy, Bateria da União da Ilha (e seu intéprete oficial Ito Melodia), Thiago Thomé, Bateria da Mangueira, Chiquinho Vírgula, João Martins, Renato Milagres, Juninho Thybau, Renato da Rocinha, Grupo Opaxorô, Bruno Sales, Rony do Grupo Referências entre outros. O intuito é ocupar um espaço na Maré, proporcionando um ponto de encontro, onde seja possível ouvir boa música num agradável ambiente, sem qualquer intervenção, onde o maior objetivo é o desejo pela diversão. E não há melhor espaço que o Museu da Maré. Reconhecido internacionalmente com mais de 28.000 visitas e premiado com os principais prêmios de cultura do país é, por natureza, um espaço de tradição e cultura localizado entre as principais vias expressas cariocas. O Maré de Samba quer “remar” na “direção da maré”, cruzando os mares que resgatam a nossa cultura musical. Mostrando que não somente de páginas policiais vive o subúrbio carioca. Por Viviane Oliveira