Era o ano de 1990, e o país voltava a ter um governo eleito democraticamente. A saída da nova equipe econômica foi confiscar parte da caderneta de poupança da população. Tal medida levou milhares de brasileiros ao desespero e à bancarrota. Esse é o caso de Anderson, que amargou outras perdas em sua vida: seu negócio (uma agência de viagens), um ente querido e um grande amor. Isso tudo leva-o a per
ambular pelas ruas. Esse andarilho é a figura central de Nefelibato, monólogo de Regiana Antonini que Luiz Machado leva à cena para celebrar seus 20 anos de carreira. A montagem tem direção de Fernando Philbert, supervisão de Amir Haddad e reabriu, em 2016, o porão da Casa de Cultura Laura Alvim. Findas as sessões, era comum o ator receber, demorados abraços do público, emocionado com sua entrega cênica. Esse trabalho, tido por muitos como visceral, poderá ser visto num outro palco: o do Teatro Candido Mendes, em Ipanema, onde cumpre, a partir de 8 de março, sua segunda temporada na cidade. De 2016 vamos agora a 2014, e Luiz Machado busca um texto para levar à cena. O ator tem uma vontade: trabalhar com Amir Haddad. Autores que admira são procurados, e seus textos estudados. O de Regiana não lhe sai da cabeça. O texto estivera na gaveta e traz temas ainda atuais – o que fascina Machado, que vê no personagem central a oportunidade de fazer algo diferente dos tipos cômicos que tinha o costume de viver. Seu coração pede algo diferente. O entusiasmo passa a medir forças com a insegurança de não estar à altura do papel. “Você tem de fazer!”, encorajou-lhe Haddad, que pediu para trazer ao projeto o diretor Fernando Philbert, com quem gostaria de trabalhar pela primeira vez. E a equipe foi sendo formada. Voltamos a 2016, e os ensaios estão a pleno v***r. O texto começou a ser estudado um ano antes. É seu primeiro monólogo numa carreira que soma 32 peças. Nesse ínterim, o ator deixa barba e cabelos crescerem. Em seis meses, seu visual é outro. Está mais e mais próximo de Anderson, que vaga pelas ruas com seu burro-sem- rabo e suas quinquilharias. Já estivera num sanatório e fugiu. Em meio a reflexões sobre o mundo e as idiossincrasias humanas, dá pistas sobre sua identidade, sua vida e seu passado. E quem é Anderson afinal? O quanto de loucura é necessário para o ser humano não perder a própria vida? Essa pergunta perseguiu o diretor Fernando Philbert ao longo do processo da montagem. “Quis tratar do instinto de sobrevivência que o ser humano tem e que ele esquece que tem”, salienta o diretor antes de chamar a atenção para um certo grau de consciência que o personagem tem de sua condição: “Para não se matar ou matar alguém ele vai para a rua. Viver na rua é o caminho que ele encontrou para continuar vivo”. Anderson é alguém que vive situações limite. Um equilibrista no fio tênue entre lucidez e loucura, vida e poesia. Mais sobre Luiz Machado:
Luiz Machado formou-se ator pela Universidade do Rio de Janeiro (Uni-Rio) em 1994. No teatro, trabalhou em 32 peças, tendo produzido quatro delas. Nesse meio, trabalhou com grandes nomes como João Bethencourt (de quem foi também assistente em “Como matar um playboy”), Maria Clara Machado, Domingos Oliveira (com quem trabalharia também na TV e no cinema) e João Fonseca, entre outros. Na TV, integra a segunda temporada da série “Magnifica 70” (HBO), com direção de Claudio Torres, e está no ar na série “Família imperial”, co-produção do Canal Futura com a TV Globo e direção de Cao Hamburguer. Só nesta última emissora, atuou em mais de 30 produções, entre novelas (“Flor do Caribe” e “América”), humorísticos (“Zorra total”, “A grande família”, “A diarista”e “Sob nova direção”, entre outros) e seriados. Atuou também em cinco novelas da Record (“Poder paralelo” e “Chamas da vida”, entre outras) e em filmes como “Paixão e acaso”, de Domingos Oliveira, “Transeuntes”, de Eric Rocha e “Nosso lar”, de Wagner de Assis, baseado na obra homônima de Chico Xavier. Ficha técnica:
Texto: Regiana Antonini
Interpretação: Luiz Machado
Supervisão artística: Amir Haddad
Direção: Fernando Philbert
Cenografia e figurino: Teca Fichinski
Iluminação: Vilmar Olos
Direção de movimento: Marina Salomon
Preparação vocal: Edi Montechi
Assistência de direção: Alexandre David
Assessoria de imprensa: Christovam de Chevalier
Design gráfico: Claudio Sales
Direção de produção: Joaquim Vidal
Realização: LM Produções Artísticas e Melhor a Doi2
Serviço: